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quarta-feira, 15 de abril de 2026

Pesquisadores descobrem nova espécie de réptil de 230 milhões de anos

Animal com bico de "papagaio" que viveu no período Triássico compartilha parentesco com espécies da Escócia

Por Rodrigo Tardio
Batizado de Isodapedon varzealis, animal pertence ao grupo dos rincossauros - Foto: Divulgação

Uma equipe de paleontólogos da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) identificou uma nova espécie de réptil pré-histórico que habitou o solo gaúcho há 230 milhões de anos.

Batizado de Isodapedon varzealis, o animal pertence ao grupo dos rincossauros e foi descrito em um artigo publicado recentemente na renomada revista científica Royal Society Open Science.

A descoberta foi liderada pelo paleontólogo Rodrigo Temp Müller e pela mestranda Jeung Hee Schiefelbein, com base em um crânio fossilizado desenterrado no município de Agudo, na região central do Rio Grande do Sul, em 2020.

Morfologia e hábitos

O Isodapedon varzealis era um herbívoro quadrúpede que media entre 1,2 e 1,5 metro de comprimento. A característica mais marcante era um bico curvado e pontiagudo, semelhante ao de um papagaio, que os cientistas acreditam ter sido utilizado para cortar plantas resistentes e escavar o solo em busca de raízes.

A preparação do fóssil foi um trabalho de paciência e precisão. Foram necessários mais de seis meses de laboratório para remover o sedimento da delicada região dos dentes. "Essas características são fundamentais para identificar a espécie e entender seu nicho ecológico", explicam os pesquisadores no estudo.

Conexão transcontinental

A análise filogenética revelou um dado surpreendente: o espécime brasileiro possui forte parentesco com rincossauros encontrados na Escócia. Essa semelhança evidencia a dinâmica do supercontinente Pangeia, onde as massas de terra eram unidas, permitindo que os animais migrassem por vastos territórios sem o bloqueio de oceanos.

Marco geológico

Além da importância biológica, o achado tem relevância geocronológica. Os rincossauros são considerados excelentes "marcadores de tempo", auxiliando os cientistas a datar com maior precisão as formações rochosas.

Com a nova descrição, o Brasil passa a contabilizar seis espécies conhecidas de rincossauros do Triássico. O fato de o Isodapedon ter sido encontrado em camadas rochosas que abrigavam outras três espécies sugere que o grupo atingiu seu pico de diversidade simultaneamente ao surgimento dos primeiros dinossauros no planeta.

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