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terça-feira, 7 de abril de 2026

OAB-SP cobra investigação da PGR sobre envolvimento de ministros do STF com o Master

Presidente da Seccional de São Paulo da Ordem dos Advogados do Brasil lembrou que Paulo Gonet está em silêncio sobre as denúncias

Loriane Comeli

Paulo Gonet, procurador-geral da República, tem sido criticado por sua omissão frente às denúncias contra ministros do STF | Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O presidente da Ordem dos Advogados do Brasil de São Paulo (OAB-SP), Leonardo Sica, cobrou da Procuradoria-Geral da República (PGR) investigação das denúncias sobre o envolvimento de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) no caso do Banco Master.

Depois de participar de um evento sobre o Poder Judiciário, nesta segunda-feira, 6, Sica concedeu entrevista e disse que ministros que pegam caronas em jatinhos particulares devem ser “amplamente investigados”. Ele lembrou que a PGR, responsável por conduzir eventuais apurações sobre os casos, está “silente” sobre a atuação dos magistrados da Corte.

Até agora, a PGR, chefiada por Paulo Gonet, rejeitou pedidos para investigar Dias Toffoli e Alexandre de Moraes por envolvimento com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Master.

Representante de 380 mil advogados no Estado de São Paulo, Sica disse que “os fatos precisam ser investigados”. “Todos os fatos. Por exemplo, ministros recebem carona de jatos particulares. A gente tem que investigar amplamente isso”, disse.
Presidente da OAB de SP, Leonardo Sica disse que advogados cobram PGR sobre caso de ministros envolvidos com o Master | Foto: Reprodução/Twitter/X

O presidente da OAB-SP se referiu aos sucessivos casos revelados pela imprensa de usos de aeronaves particulares por ministros do Supremo bancados por empresários e advogados com processos na Corte.

“A gente espera, e o Conselho Federal da OAB está tentando falar com o procurador-geral da República, levar essa pauta adiante. Porque aí não é o ministro Edson Fachin, ele não pode dar início, como presidente do Supremo”, afirmou Sica. “Eu digo para os meus clientes, que às vezes estão preocupados em ter um processo, em ter uma investigação, a melhor situação para quem está sob suspeita é ter uma investigação, porque te permite sair da suspeita.”

As viagens dos ministros

Três ministros do STF viajaram em aeronaves ligadas ao Master. Nunes Marques viajou de Brasília para Maceió com sua mulher em avião particular que pertence à empresa que administra os bens de Vorcaro, a Prime You. O magistrado foi a uma festa de aniversário na capital alagoana a convite de uma advogada que atua judicialmente para o Banco Master e disse ser a responsável por arcar com os custos da viagem.

Procurado pelo Estadão, o ministro confirmou a viagem e afirmou que foi convidado para o aniversário da advogada Camilla Ewerton Ramos, mulher do desembargador Newton Ramos, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1).

O ministro Alexandre de Moraes e sua mulher, a advogada Viviane Barci de Moraes, também pegaram voos em aeronaves particulares de uma empresa ligada ao dono do Master. Documentos obtidos pelo Estadão mostram que o ministro voou em avião da empresa de Vorcaro na véspera de reunião com o banqueiro.

O gabinete de Moraes classificou a informação como ilação e afirmou que o ministro “jamais viajou em nenhum avião de Daniel Vorcaro ou em sua companhia e de Fabiano Zettel, a quem nem conhece”. O escritório de Viviane afirmou em nota que contrata diversos serviços de táxi aéreo e que, entre eles, já foi contratada a empresa Prime Aviation, ligada a Vorcaro. Disse ainda que nem Vorcaro nem seu cunhado Fabiano Zettel estiveram presentes nos voos.

Documentos oficiais revelam que o ministro Dias Toffoli fez pelo menos três viagens de Brasília ao Tayayá Resort, no Paraná, do qual foi sócio, em aviões de empresários, depois da venda do empreendimento, em 2025. Um deles era da Prime Aviation, empresa que tinha participação de Vorcaro.

Os outros dois eram de Paulo Humberto Barbosa, que comprou a parte de Toffoli no Tayayá, e de Luiz Osvaldo Pastore, empresário da mineração que levou o ministro a Lima, no Peru, para assistir à final da Libertadores entre Flamengo e Palmeiras, em novembro. O ministro não se manifestou.

Além das viagens

Além das viagens, há outras suspeitas sobre o envolvimento de Toffoli e Moraes no caso Master.

Sobre Toffoli, a Polícia Federal pediu sua suspeição para atuar no caso Master depois de supostamente encontrar mensagens dele com o dono do banco, Daniel Vorcaro, e comprovantes de pagamento. Um resort da família de Toffoli foi vendido a um fundo ligado a Vorcaro. A empresa responsável pelo Tayayá, no Paraná, está em nome dos irmãos de Toffoli, mas o ministro é sócio oculto. Além disso, a imprensa mostrou que os funcionários o consideram o verdadeiro dono do empreendimento.

Com um arranjo do STF, Toffoli deixou o caso sem se declarar suspeito nem impedido e poderá atuar no julgamento da ordem de prisão contra Vorcaro expedida por André Mendonça, que o substituiu na relatoria.

Já Moraes teria atuado como lobista do Master. A imprensa divulgou encontros entre o ministro e Vorcaro, além de contato com o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, para interceder a favor do Master no caso da liquidação. Pesa o fato de que Viviane Barci, mulher de Moraes, assinou com o banco um contrato de R$ 129 milhões, valor considerado irreal no mercado jurídico.

Redação Oeste, com informações do Estadão Conteúdo

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