Gilberto Waller afirma que proposta previa cortar espera para 1,3 milhão de pedidos; demitido, ele culpa a Casa Civil por entrave
Isabela Jordão

O agora ex-presidente do INSS, Gilberto Waller Júnior, demitido nesta segunda-feira, 13 | Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado
O Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) elaborou ainda em janeiro um plano para reduzir a fila de pedidos de benefícios, mas a proposta não saiu do papel por falta de aval da Casa Civil. A afirmação é do ex-presidente do órgão Gilberto Waller, demitido nesta segunda-feira, 13.
Segundo Waller, o plano foi construído em conjunto com a Casa Civil, a Dataprev e o Ministério da Previdência Social e previa a redução da fila para 1,3 milhão de requerimentos até o fim do atual governo.
Parte das medidas chegou a ser implementada, como o Atestemed — ferramenta digital que permite solicitar auxílio por incapacidade temporária sem perícia presencial — e a realização de mutirões aos fins de semana.

Miriam Belchior assumiu o Ministério da Casa Civil em abril deste ano | Foto: Valter Campanato/Agência Brasil
“Fizemos algumas coisas que já deram efeito”, disse ao jornal O Globo. Ele afirma, porém, desconhecer os motivos pelos quais a Casa Civil não deu sinal verde para a execução integral da proposta. Waller foi nomeado em abril de 2025, depois do escândalo dos descontos indevidos em aposentadorias e pensões, e deixou o cargo sem aviso prévio.
Segundo relato à jornalista Andréia Sadi, da Rede Globo, ele foi informado da exoneração por volta das 10h30 de segunda-feira, sem explicações sobre a decisão. Disse ainda que não chegou a falar com o ministro da Previdência, Wolney Queiroz, e foi comunicado apenas pelo secretário-executivo da pasta.
O ex-presidente também contestou a justificativa do ministério de que a troca no comando do INSS visa a acelerar a análise de benefícios. Para ele, o principal gargalo está na perícia médica, responsabilidade da pasta.

Segundo Waller, o plano previa a redução da fila para 1,3 milhão de pedidos até o fim do ano | Foto: Agência Brasil/Divulgação
“Se for a fila, quem teria que ser exonerado não era ninguém do INSS”, afirmou. “A maioria dos que esperam há mais de 45 dias depende de perícia médica.” Dados do próprio instituto revelam que mais de 821 mil pessoas nessa condição aguardam avaliação.
Fila do INSS tem quase 3 milhões de pedidos em espera
Atualmente, cerca de 2,7 milhões de pedidos estão na fila. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva prometeu zerar a espera até o fim do mandato, mas o objetivo ainda não foi alcançado. O governo recebe, em média, 61 mil novos requerimentos por dia.
Waller fez um balanço positivo de sua gestão. Ele afirma ter reduzido o estoque de pedidos mesmo com o aumento da demanda. Disse também que promoveu uma “limpeza” interna diante das fraudes investigadas. Em março, segundo ele, o INSS registrou recorde de concessões, com 890 mil benefícios aprovados, além de 1,6 milhão de análises concluídas.
Ana Cristina Viana Silveira, nova presidente do INSS | Foto: Divulgação/Ministério da Previdência SocialEm nota enviada ao jornal Folha de S.Paulo, o Ministério da Previdência afirmou que a redução da fila observada em março é resultado de ações da pasta, como mutirões, contratação de 500 peritos, uso de telemedicina e ampliação do Atestemed.
Durante sua gestão, Waller se reuniu apenas uma vez com o presidente Lula, em maio de 2025, para tratar da resposta ao escândalo dos descontos indevidos. Segundo ele, o tema da fila não foi abordado na ocasião. Desde então, não houve novos encontros entre ambos.
A fila do INSS praticamente triplicou desde o início do atual governo, de acordo com dados do Boletim Estatístico da Previdência. Depois de atingir 3,1 milhões de pedidos em fevereiro deste ano, o número recuou para 2,7 milhões no mês passado.
Com a saída de Waller, o INSS passa a ser comandado por Ana Cristina Viana Silveira, servidora de carreira do órgão desde 2003.
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