Senador afirma que os R$ 350 milhões despendidos pelo governo federal em hospedagens de luxo no Pará pagariam a construção de 40 UPAs
Erich Mafra

O senador Flávio Bolsonaro participou de um evento do grupo empresarial Lide, no Hotel Fairmont, em Copacabana, na zona sul do Rio - 19/3/2026 | Foto: Pedro Kirilos/Estadão Conteúdo
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) classificou como “surreal” o gasto de R$ 350 milhões do governo federal para alugar cruzeiros durante a COP30, realizada no ano passado. Em publicação nas redes sociais, o parlamentar questionou as prioridades de Luiz Inácio Lula da Silva e o legado do evento para os paraenses. Segundo Flávio, o montante permitiria construir 40 Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) com capacidade para atender 450 pessoas por dia cada uma.
Os dados que motivaram a reação do senador partiram de um documento da Casa Civil obtido pelo portal Metrópoles. O relatório detalha o processo de contratação de navios das empresas Costa Cruzeiros e MSC Cruzeiros para hospedar delegações em Belém, logo que a capital paraense sediou a conferência do clima da ONU em novembro de 2025.
Triangulação e empresas envolvidas
A Secretaria Especial da COP30 utilizou a Embratur para intermediar o negócio. A agência contratou a Qualitours Agência de Viagens e Turismo Ltda por exatamente R$ 350.240.506,46 para viabilizar as acomodações flutuantes. O governo justificou a despesa milionária devido ao déficit de leitos em Belém e à necessidade de cumprir acordos internacionais para sediar o evento.
A empresa Qualitours pertence à holding BeFly, de Marcelo Cohen, empresário que possui ligações com fundos do Banco Master. Cohen também é apontado como sócio do banqueiro Daniel Vorcaro em um hotel de luxo em Campos do Jordão. Flávio Bolsonaro rebateu a justificativa oficial e afirmou que o governo “torrou” dinheiro público enquanto ignora as necessidades dos mais pobres.
Para a oposição, o gasto evidencia uma desconexão entre o discurso ambiental e a gestão financeira do país. Flávio Bolsonaro encerrou sua crítica reforçando que o investimento em saúde traria um benefício real e duradouro ao Estado, ao contrário do aluguel temporário das embarcações.
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