Esses magistrados afirmam que, embora o presidente da Suprema Corte busque consolidar um legado ético, sua estratégia acaba desgastando os colegas perante a opinião pública
Yasmin Alencar

O presidente do STF, Edson Fachin, durante a abertura do Ano Judiciário, no tribunal - 2/2/2026 | Foto: Ton Molina/Estadão Conteúdo
Depois de declarações do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, nesta terça-feira, 31, sobre conduta de juízes, ética e o fim do inquérito das fake news, parte dos ministros expressou insatisfação, alegando desconforto e exposição indevida dos impasses internos.
Pelo menos cinco ministros, de acordo com relatos reservados ao jornal Folha de S.Paulo, demonstram reação coordenada à postura pública de Fachin, criticando a liderança do presidente e avaliando que o Supremo enfrenta desunião e crise de credibilidade, especialmente por causa da investigação sobre o Banco Master.
Críticas à liderança de Fachin e preocupação com imagem do STF
Esses magistrados afirmam que, embora Fachin busque consolidar um legado ético, sua estratégia acaba desgastando os colegas perante a opinião pública e fornece argumentos para críticos do tribunal, tanto no Congresso quanto na sociedade, em meio a um cenário de descrédito.
O grupo relata surpresa com as falas do presidente e acredita que uma comunicação prévia poderia ter evitado desconfortos. Também dizem que Fachin deveria agir para minimizar impactos negativos, principalmente diante de um ano eleitoral que promete intensificar ataques ao STF.
Ministros reconhecem a boa-fé do presidente, mas revelam que suas manifestações amplificam divisões internas. Por esse motivo, discordam do encerramento do inquérito das fake news neste momento, considerado arriscado para a unidade do tribunal.
Divergências sobre prioridades e debate ético
Enquanto Fachin valoriza o debate sobre um código de ética, outra parte da Corte entende que esse foco não aborda problemas urgentes do Judiciário, como o cumprimento de decisões sobre benefícios adicionais, os chamados penduricalhos.
Em balanço dos seis meses de gestão, Fachin declarou: “Juízes também erram e precisam responder pelos erros”. E acrescentou: “Quem age em desacordo com uma regra ética precisa se sentir constrangido a repensar seu comportamento”.
Pessoas próximas ao presidente esclarecem que tais declarações ocorreram no contexto do debate sobre o código de conduta e propostas de punições a magistrados, não sendo direcionadas a casos específicos nem a condutas de ministros do STF.
Gestão, distribuição de processos e busca por diálogo
Durante o evento, Fachin destacou a importância de decisões colegiadas, ressaltando julgamentos que, segundo ele, fortalecem a segurança jurídica e a voz do plenário, como em temas sobre penduricalhos.
O presidente também afirmou que, desde setembro, todos os ministros tiveram processos incluídos na pauta do plenário de forma equilibrada. “Houve uma distribuição relativamente equânime entre todos os ministros”, disse Fachin.
Ele reforçou que esse critério continuará orientando a organização das pautas do Supremo nos próximos julgamentos.
Sobre a repercussão negativa, Fachin tem informado a auxiliares que mantém diálogo frequente com os demais ministros para enfrentar desafios e buscar soluções conjuntas, citando como exemplo o caso dos penduricalhos. Segundo ele, a defesa da integridade moral do STF e da imparcialidade dos ministros é prioridade absoluta de sua gestão.
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