Ex-banqueiro deve citar grandes empresários e dirigentes partidários
Edilson Salgueiro
A defesa de Vorcaro ainda tenta reverter a prisão | Foto: Montagem/Revista OesteDaniel Vorcaro segue disposto a negociar um acordo de delação premiada com a Polícia Federal (PF), apesar dos boatos que circulam na imprensa. Como antecipou Oeste, a recente mudança na equipe jurídica do ex-banqueiro, com a saída de Pierpaolo Bottini e a entrada de José Luis Oliveira Lima, o Juca, ocorreu justamente para dar continuidade às tratativas de colaboração.
Juca construiu a carreira em casos de grande repercussão e já atuou em negociações de colaboração premiada, como a de Léo Pinheiro, ex-presidente da empreiteira OAS, na Operação Lava Jato. Também integrou defesas de nomes como José Dirceu, no Mensalão, e do general Braga Netto, em investigações recentes.
Como mostrou Oeste, a possibilidade de delação já provocava divergência entre os advogados de Vorcaro. Até a semana passada, três nomes integravam a defesa: Edson Gushiken, Roberto Podval e Pierpaolo Bottini. Dois deles eram contrários à colaboração. O motivo era o flagrante conflito de interesses entre as partes. Segundo interlocutores, Vorcaro citaria grandes empresários e dirigentes partidários, alguns deles clientes dos advogados do ex-banqueiro. A saída de Bottini, que já havia sinalizado a interlocutores que não participaria de negociações desse tipo, e a entrada de Juca, experiente em acordos de delação, resolveram parte dos problemas.
Vorcaro foi preso pela segunda vez em 4 de março, por decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, depois de investigações da PF indicarem descumprimento de medidas cautelares. A 2ª Turma da Corte manteve a prisão.
Agora, a defesa trabalha com tentativas de reverter ou flexibilizar a medida. A aposta em uma saída jurídica no STF, contudo, não exclui a negociação de colaboração.
Entenda o escândalo do Banco Master
O colapso do Banco Master se consolidou como uma das investigações financeiras mais sensíveis em andamento no país. Relatórios da PF apontam suspeitas de que a instituição teria inflado ativos e emitido títulos de crédito sem lastro para sustentar suas operações.
As apurações também revelaram uma rede de relações que envolve autoridades públicas, agentes do mercado financeiro e operadores políticos. Entre os episódios que ampliaram a repercussão do caso está a revelação de um contrato de cerca de R$ 130 milhões entre o Banco Master e o escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro do STF Alexandre de Moraes. O acordo previa pagamentos mensais superiores a R$ 3,5 milhões por três anos para consultoria junto de órgãos como Banco Central, Receita Federal e Congresso.
Investigadores também apuram a atuação de ex-dirigentes do Banco Central, suspeitos de fornecer orientação regulatória ao banco enquanto ainda ocupavam cargos na instituição.
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