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segunda-feira, 16 de março de 2026

MST mobiliza militância em 24 Estados e invade 14 propriedades

As invasões ocorreram em Pernambuco, Rio Grande do Sul, São Paulo, Espírito Santo, Goiás, Piauí e Tocantins

Diógenes Feitosa

Segundo juristas, esse tipo de ação, frequentemente apresentado como forma de pressão política, viola o direito de propriedade e gera insegurança jurídica no campo | Foto: Reprodução/Redes Sociais

No início de março de 2026, militantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) promoveram uma nova rodada de invasões.

Sob a bandeira da chamada “Reforma Agrária Popular”, grupos ligados ao movimento organizaram ações coordenadas em diversas regiões do país, incluindo marchas, bloqueios e invasões de propriedades rurais.

Entre os dias 8 e 12 de março, o MST afirmou ter mobilizado mais de 15 mil participantes durante a chamada Jornada Nacional das Mulheres Sem Terra, realizada em 24 Estados e no Distrito Federal.

As atividades incluíram assembleias, atos políticos e invasões de áreas classificadas pelo movimento como latifúndios improdutivos.

Segundo o próprio MST, ao menos 14 propriedades foram alvo de invasões durante o período.

As ações ocorreram em Estados como Pernambuco — onde se concentraram sete ocupações — além de Rio Grande do Sul, São Paulo, Espírito Santo, Goiás, Piauí e Tocantins.

Segundo juristas, esse tipo de ação, frequentemente apresentado como forma de pressão política, viola o direito de propriedade e gera insegurança jurídica no campo.



Invasões

Na Região Amazônica, mulheres invadiram, em 9 de março, a Fazenda Santo Hilário, em Araguatins (TO), uma área de 2.462 hectares transferida à União em 2020, mas cuja posse permanecia irregular.

Segundo os invasores, o Incra não cumpriu o prazo de vistoria, e diversas famílias ligadas ao MST seguem aguardando assentamento.

Em Roraima, militantes participaram das manifestações do 8 de Março, cobrando políticas públicas para combater a violência de gênero.

Nordeste

No Nordeste, o grupo invadiu, em Palmeirais (PI), uma área da empresa Suzano; enquanto em Alagoas, mulheres do MST invadiram instalações da Mineração Vale Verde em Craíbas.

Mobilizações em Maceió reuniram a militância do campo e da cidade. Em Sergipe, segundo o MST, centenas de militantes marcharam em Aracaju, apresentando demandas ao Incra.

Pernambuco registrou sete invasões, e no Rio Grande do Norte, dezenas de militantes protestaram em rodovias.

Na Bahia, plenárias e caminhadas reuniram centenas de mulheres em diferentes municípios, de acordo com dados do MST. Na Paraíba, uma feira agroecológica e debates sobre violência de gênero integraram as ações. O Ceará contou com ato na capital e seminário estadual.

Centro-Oeste

Militantes ocuparam uma área de 8 mil hectares da Companhia Bioenergética Brasileira em Vila Boa, no interior de Goiás.

Em Mato Grosso do Sul, o grupo promoveu assembleias em acampamentos do MST.

Em Brasília, uma comissão entregou reivindicações do movimento feminista à ministra das Mulheres, Márcia Lopes, em 5 de março.

Norte

No Acre, dezenas de mulheres se engajaram em atos no acampamento Chico Mendes, em Brasiléia.

Em Rondônia, dezenas de militantes protestaram em Porto Velho e protocolaram reivindicações ao governo estadual.

Sudeste

Na Região Sudeste, os militantes bloquearam trilhos da Estrada de Ferro Vitória–Minas, em Tumiritinga (MG).

Depois de 30 horas de paralisação e negociação, a mineradora Samarco comprometeu-se a reflorestar 2 mil hectares e incluir 1,2 mil famílias nas indenizações pelo desastre de Brumadinho.

No Espírito Santo, o grupo invadiu uma área da Samarco em Anchieta. Em São Paulo, os militantes ocuparam a Fazenda Santo Antônio, em Presidente Epitácio.

A Polícia Militar realizou despejo na manhã do mesmo dia. Na capital, algumas mulheres participaram de manifestação na Avenida Paulista.

Sul

No Sul, o grupo ocupou uma área de 400 hectares da Fepagro em São Gabriel (RS). Uma comissão do MST foi recebida pelo secretário estadual de Desenvolvimento Rural, Gustavo Paim, e pelo superintendente do Incra-RS, Nelson Grasselli.

No Paraná, mulheres marcharam em Rio Bonito do Iguaçu. Em Santa Catarina, o grupo participou de um seminário na Assembleia Legislativa sobre enfrentamento ao feminicídio e violência contra a vida das mulheres.

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