ministra deixa o cargo para disputar vaga no Senado; o presidente tenta conter crises em ano eleitoral marcado por pressão no Legislativo e no STF

A ministra Gleisi Hoffmann, o Vice Presidente Geraldo Alckmin e o Presidente Luiz Inácio Lula da Silva participam da assinatura de medida provisória, em Brasília, DF (14/7/2025) | Foto: Valter Campanato/Agência Brasil
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidiu rever o nome inicialmente cotado para substituir a ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, diante das dificuldades crescentes na articulação com o Congresso.
Responsável pela coordenação política do governo, Gleisi deixará o cargo na próxima semana para disputar o Senado pelo Paraná. Ela havia indicado como “sucessor natural” Olavo Noleto, atual chefe do Conselho de Desenvolvimento Econômico, Social e Sustentável, o chamado Conselhão.
Nos bastidores, porém, Lula afirmou a interlocutores que, em ano eleitoral, pretende escolher um nome com maior peso político para a função — especialmente diante do cenário de pressão, que inclui a possível delação premiada de Daniel Vorcaro, dono do extinto Banco Master, já apelidada de “delação do fim do mundo”.
Caso Master: preso, Daniel Vorcaro avança para firmar acordo de delação premiada | Divulgação/SAPEntre os nomes mais citados para o cargo, segundo o jornal O Estado de S. Paulo, está o líder do governo na Câmara, José Guimarães (PT-CE). O deputado, que pretende concorrer ao Senado pelo Ceará, enfrenta dificuldades para garantir espaço na chapa do governador Elmano de Freitas (PT), candidato à reeleição.
O impasse se agravou depois que o senador Cid Gomes (PSB) condicionou seu apoio a Elmano à indicação do deputado Júnior Mano (PSB) — seu aliado — como candidato ao Senado. A exigência provocou divisão no PT, que busca uma alternativa para viabilizar Guimarães e aguarda uma intervenção direta de Lula.
Júnior Mano é investigado pela Polícia Federal sob suspeita de liderar um esquema estruturado de corrupção que envolve o desvio de emendas parlamentares. Ainda assim, o apoio do PSB no Ceará é visto como estratégico para a reeleição de Elmano, que enfrenta o ex-ministro Ciro Gomes (PSDB), líder nas pesquisas. Apesar do vínculo familiar, Ciro e Cid estão politicamente rompidos.
Governador do Ceará, Elmano de Freitas | Foto: Divulgação/Governo do CearáNo Planalto, a avaliação é que o próximo articulador político precisa ter experiência e trânsito no Congresso. Embora Noleto tenha atuado como secretário-executivo durante a gestão de Alexandre Padilha — hoje ministro da Saúde — na pasta de Relações Institucionais, Lula entende que o momento exige uma liderança com maior autoridade sobre deputados e senadores.
Substituição de Gleisi acontece em meio a agenda movimentada
A troca ocorre em meio a uma agenda legislativa sensível. Nesta segunda-feira, 23, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça determinou a prorrogação da CPMI do INSS e deu prazo de 48 horas ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), para que faça a leitura do requerimento de instalação. A decisão ainda será analisada pelo plenário da Corte.

Presidente da CPMI do INSS, senador Carlos Viana (Podemos-MG), comemorou a prorrogação da comissão por determinação do ministro André Mendonça, do STF | Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado
O governo também busca avançar, ainda neste semestre, com pautas prioritárias, como o fim da escala de trabalho 6×1, a PEC da Segurança Pública — que depende de aprovação no Senado — e a regulamentação do trabalho por aplicativos.
Outro ponto de atenção é a indicação do ministro da Advocacia-Geral da União, Jorge Messias, para o STF. Até o momento, Lula não encaminhou o nome ao Senado, diante da resistência de Alcolumbre.
Há ainda preocupação no Planalto com a possibilidade de o Congresso derrubar o veto presidencial ao projeto que reduz as penas dos condenados pelos atos do 8 de janeiro.
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