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segunda-feira, 23 de março de 2026

Brasil cria maior parque marinho do país

Unidade de conservação no Rio Grande do Sul quer proteger espécies em meio a debates entre ambientalistas e setor pesqueiro

Fábio Bouéri

Parque Marinho do Albardão, no Rio Grande do Sul | Foto: Divulgação/Nema-RS

Uma área equivalente a 1 milhão de campos de futebol, ao longo de 160 quilômetros de litoral no Rio Grande do Sul, foi transformada em parque marinho para proteger baleias, tubarões e espécies ameaçadas de extinção, como a toninha. O Parque Nacional do Albardão, criado no último dia 6, tem 1.001.480 hectares.

A nova unidade é quase cem vezes maior que o parque marinho de Fernando de Noronha, 73 vezes o das Ilhas dos Currais e 11 vezes o de Abrolhos — os três parques marinhos já existentes no país. Segundo pesquisadores, a área é estratégica para a preservação de espécies ameaçadas e para a recuperação de estoques pesqueiros afetados pela pesca industrial.

Parque: interesses e divergências

A criação do parque, no entanto, enfrenta resistência local. Moradores e representantes do setor pesqueiro avaliam os possíveis impactos negativos na economia da região. Um projeto apresentado na Câmara dos Deputados tenta derrubar o decreto, sob o argumento de falta de debate prévio e possíveis prejuízos à população.

O sindicato que representa pescadores da Região Sul afirma que a medida pode afetar a atividade pesqueira nacional sem garantir proteção efetiva, já que a área permaneceria vulnerável à atuação de embarcações estrangeiras.

Já o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) sustenta que a criação foi precedida de audiências públicas e que o modelo de parque nacional prevê uso indireto dos recursos naturais, como ecoturismo e visitação.

Para o pesquisador Eduardo Secchi, do Instituto de Oceanografia da Universidade Federal do Rio Grande (Furg), a unidade é fundamental para conter a pesca industrial predatória. Segundo ele, em reportagem do jornal O Estado de S. Paulo, a atividade provoca a morte de 2 mil a 4 mil toninhas por ano, colocando a espécie em risco de extinção. “A espécie é a única representante viva da família Pontoporiidae. A extinção da toninha representaria o fim de uma linhagem evolutiva.”

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