Autoridade separa dados sobre crédito consignado por ordem do ministro André Mendonça
Erich Mafra

O empresário Daniel Vorcaro, do Banco Master, durante entrevista à TV Lide, em 2024 | Foto: Divulgação/Lide
A Polícia Federal (PF) realiza uma triagem no conteúdo extraído do celular de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, antes de encaminhar o material à CPMI do INSS. Segundo o jornal O Globo, a medida atende a uma determinação do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, que restringiu o compartilhamento de provas às operações de crédito consignado, objeto de investigação do colegiado. De acordo com o presidente da comissão, senador Carlos Viana (Podemos-MG), os parlamentares devem acessar os arquivos dentro de uma semana.
A revelação do conteúdo do aparelho causa apreensão em Brasília, tanto em setores do STF quanto no Congresso Nacional. O material inclui, por exemplo, o contrato do Banco Master com o escritório de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes. O documento previa o pagamento de aproximadamente R$ 130 milhões em três anos para a defesa dos interesses da instituição financeira perante o Banco Central, a Receita Federal e o Parlamento.
Mudança na relatoria e cooperação institucional
A liberação das provas marca uma guinada na condução do caso. Anteriormente, o ministro Dias Toffoli havia barrado o compartilhamento e determinado o armazenamento do material no gabinete do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP). Entretanto, Toffoli deixou a relatoria das investigações no dia 12, após a Polícia Federal enviar ao STF um relatório de 200 páginas listando conexões entre o magistrado e Daniel Vorcaro, incluindo o pagamento de R$ 35 milhões por uma fatia de um resort do qual o ministro é sócio.
Ao assumir o caso, André Mendonça autorizou a cooperação entre as instituições no dia 20. O ministro argumentou que o modelo constitucional brasileiro exige a atuação conjunta entre órgãos de persecução penal e Comissões Parlamentares de Inquérito para a proteção do interesse público. O magistrado também tomou medidas para fortalecer a atuação de técnicos da Polícia Federal e afastar nomes de confiança do antigo relator.
Demora de envio de dados de Vorcaro incomoda políticos
A demora no envio dos dados técnicos irrita integrantes da CPMI, como a senadora Damares Alves (Republicanos-DF), que criticou o atraso gerado pela decisão anterior de Toffoli. A comissão enfrenta uma corrida contra o tempo, logo que faltam menos de oito meses para as eleições. Carlos Viana informou que, como o material chegará filtrado apenas com dados do consignado, liberará o acesso a todos os parlamentares, descartando a necessidade de uma “sala cofre” para informações particulares de Daniel Vorcaro.
O Palácio do Planalto sofreu um revés recente na comissão com a aprovação de 87 requerimentos, incluindo a quebra de sigilo bancário e fiscal de Fábio Luís Lula da Silva, filho do presidente Lula. Essa quebra já havia sido decretada por Mendonça no mês passado a pedido da Polícia Federal. Agora, a atenção dos investigadores e parlamentares volta-se para o desfecho da triagem técnica que a PF realiza nos arquivos de Vorcaro.
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