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sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026

Lula convence Haddad a disputar o governo de São Paulo

Estratégia do Partido dos Trabalhadores tem interesse em fortalecer a base aliada nas eleições

Lucas Cheiddi

O presidente Lula (à esq) e o ministro da Fazenda, Fernando Haddad (à dir), durante a sanção do Projeto de Lei 2/2024, no Palácio do Planalto - 28/05/2024 | Foto: Wilton Junior/Estadão Conteúdo

A decisão do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, de disputar o governo de São Paulo teve influência de um apelo direto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Apesar de ter negado interesse em concorrer neste ano, o economista comunicou a aliados sobre sua candidatura depois de reunião com o chefe do Executivo na noite desta quinta-feira, 26, no Palácio da Alvorada.

A movimentação faz parte da estratégia do presidente de garantir candidaturas competitivas nos maiores colégios eleitorais do país. Lula também se reunirá novamente com o senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG) para definir detalhes da possível candidatura dele ao governo de Minas Gerais.

Fortalecimento da base aliada em São Paulo e Minas

Com esses acordos, Lula pretende fortalecer sua base em São Paulo e Minas Gerais. A expectativa é que Geraldo Alckmin (PSB) permaneça como vice em sua chapa à reeleição.

No cenário nacional, o avanço do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) nas pesquisas para a Presidência gerou alerta no governo. A gestão avalia que foi um erro não enfrentar o adversário de forma mais incisiva.

No Estado de São Paulo, a situação do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) se fragilizou depois de desentendimentos com Gilberto Kassab, secretário de governo. O PT vê essa conjuntura como uma oportunidade para Haddad iniciar sua pré-campanha, mesmo sem anúncio oficial.

Haddad deve deixar o Ministério da Fazenda até o fim deste mês ou, no máximo, no início de abril, para se dedicar à disputa pelo Palácio dos Bandeirantes. Dos 38 ministros, cerca de 20 devem sair do governo para concorrer às eleições, respeitando o prazo legal de desincompatibilização.

Movimentações partidárias e estratégias eleitoraisMão do presidente Lula sobre a bandeira do PT | Foto: Ricardo Stuckert/Instituto Lula

No PT, Haddad é apontado como sucessor natural de Lula a partir de 2030, e sua candidatura agora reforça essa perspectiva. Paralelamente, a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, planeja trocar a Rede pelo PT para disputar o Senado, enquanto a segunda vaga na chapa ainda está em debate.

Outra possibilidade em estudo é a candidatura da ministra do Planejamento, Simone Tebet (MDB-MS), ao Senado por São Paulo. Para isso, ela precisaria deixar o MDB, que apoia Tarcísio, e transferir seu domicílio eleitoral. Tebet recebeu convite para entrar no PSB, mas não decidiu seu futuro partidário.

Leia também: “Lula petismo rebaixado”, artigo de Adalberto Piotto publicado na Edição 310 da Revista Oeste

Lula pediu pessoalmente a Haddad que concorresse em São Paulo para garantir um palanque robusto no Estado. “Estou conversando com o presidente [sobre o assunto]”, disse. “Não vou cometer a deselegância de antecipar o que ainda vou falar com ele.”

Em 2022, Haddad foi derrotado por Tarcísio, porém, o desempenho do PT na capital paulista foi considerado decisivo para a vitória de Lula contra Jair Bolsonaro no segundo turno, segundo avaliação interna do partido.

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