Declarações ocorrem em meio à retomada das negociações nucleares e ao aumento da presença militar norte-americana no Oriente Médio
Fábio Bouéri

O líder supremo do Irã, Ali Khamenei, e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump: tensão | Foto: Reprodução/Redes sociais
O líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, afirmou nesta terça-feira, 17, que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, não conseguirá derrubar a República Islâmica. Em discurso em Teerã, ele também fez ameaças diretas à presença militar norte-americana na região e mencionou a possibilidade de atingir um porta-aviões posicionado nas proximidades do Irã.
Segundo Khamenei, Washington fracassou ao longo de décadas em sua tentativa de enfraquecer o regime iraniano. Ele disse que, depois de quase meio século de pressão, os Estados Unidos não conseguiram destruir a República Islâmica e não conseguirão fazê-lo agora. A declaração foi direcionada diretamente a Trump.
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Khamenei: novas críticas a Trump
O líder iraniano também criticou a postura do presidente norte-americano nas negociações nucleares, acusando-o de tentar “ditar” os resultados das tratativas. Ainda assim, segundo o chanceler iraniano, as conversas realizadas nesta terça abriram caminho para um possível acordo entre os dois países.
Durante o discurso, Khamenei afirmou que, embora Trump diga que o Exército norte-americano é o mais forte do mundo, até forças poderosas podem sofrer golpes severos. Em tom de ameaça, ele declarou que o país dispõe de meios capazes de atingir embarcações militares e enviá-las ao fundo do mar.
As falas ocorreram em meio à retomada das negociações entre Washington e Teerã para limitar o programa nuclear iraniano. As conversas são mediadas por Omã. Trump exige que o governo iraniano encerre completamente suas atividades nucleares e tem adotado um discurso que alterna entre pressão e sinalizações de acordo.
O presidente norte-americano ameaça atacar o país caso as tratativas fracassem. Ao mesmo tempo, ele afirma manter envolvimento indireto nas negociações e diz acreditar na possibilidade de entendimento.
Desde janeiro, o governo dos Estados Unidos ampliou sua presença militar no Oriente Médio. A mobilização inclui o envio de dois porta-aviões, dezenas de navios de guerra, destróieres e caças. Um dos grupos de ataque chegou ao Mar Arábico no fim de janeiro, próximo à costa sul iraniana. Outro foi deslocado para a região nos últimos dias, elevando o nível de tensão entre os dois países.
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