Quinze entidades questionam limites da decisão no STF, enquanto magistrados de instâncias inferiores ameaçam greve
Erich Mafra

Flávio Dino, em sessão no STF - 11/02/2026 | Foto: Victor Piemonte/STF
Pelo menos 15 associações ligadas a carreiras jurídicas apresentaram petições ao ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), para contestar a decisão que suspendeu o pagamento de verbas indenizatórias acima do teto constitucional. O grupo de entidades — que inclui a Associação dos Magistrados Brasileiros, Associação dos Juízes Federais do Brasil e Associação Nacional dos Procuradores da República— protocolou embargos de declaração e solicitou a entrada no processo como amicus curiae. De acordo com informações da CNN, as associações alegam que a liminar extrapolou os limites do pedido inicial e projetou efeitos indiscriminados sobre todos os entes federativos e Poderes.
A ofensiva jurídica sustenta que as verbas pagas a juízes e membros do Ministério Público possuem amparo em leis federais e resoluções do Conselho Nacional de Justiça e do Conselho Nacional do Ministério Público. As entidades argumentam que tais normas gozam de presunção de legitimidade e que a decisão de Flávio Dino feriu a autonomia dos conselhos superiores. Na noite desta quinta-feira, 19, o ministro acatou os pedidos de participação das associações no processo, mas manteve o rigor das restrições impostas aos pagamentos.
Bastidores e ameaça de greve na magistratura
Nos bastidores da Justiça Federal, a insatisfação com a medida de Flávio Dino gerou reações drásticas. Segundo apuração do portal Metrópoles, mensagens em grupos de magistrados classificam a decisão como “injusta e desproporcional”. Servidores e juízes discutem a possibilidade de adotar uma “operação tartaruga” — redução deliberada do ritmo de trabalho — e até mesmo a deflagração de uma greve.
Magistrados alegam que o governo aplica sucessivos deságios sobre o subsídio da categoria como política de contenção de gastos, o que resultaria em uma defasagem inflacionária acumulada. Conforme revelado pelo Metrópoles, alguns juízes sustentam que, se corrigido, o subsídio deveria estar entre R$ 70 mil e R$ 75 mil. Para os críticos da liminar, o corte dos “penduricalhos” ignora a complexidade da carreira e o fato de que juízes estão proibidos de exercer qualquer outra atividade profissional, exceto o magistério.
Novas proibições de Dino
Nesta quinta-feira, 19, Flávio Dino ampliou o alcance de suas determinações ao proibir a aplicação de novas normas que criem parcelas remuneratórias acima do teto. O ministro também vetou o reconhecimento de novos direitos relativos a períodos anteriores à liminar de 5 de fevereiro. A medida ressalva apenas eventuais leis nacionais que venham a ser editadas com base na Emenda Constitucional 135/2024, que trata especificamente de verbas indenizatórias.
O relator manteve o prazo de 60 dias para que todos os órgãos da Federação publiquem detalhadamente as verbas pagas a seus membros, com a indicação precisa das leis que fundamentam cada repasse. Enquanto as associações tentam reverter a medida no plenário do STF, o clima de animosidade cresce nas instâncias inferiores. Entre os magistrados, existe a percepção de que a pauta funciona como uma “cortina de fumaça” para desviar a atenção de outros temas sensíveis ao governo e ao Judiciário.
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