O cardiologista explica que mudanças repentinas de temperatura provocam reações automática
Por Leilane Teixeira

Abastecimento de água pode ter impacto no Brasil - Foto: © Marcelo Camargo | Agência Brasil
Tomar banho gelado costuma ser apontado na internet como um hábito cheio de vantagens: mais disposição, menos estresse e até fortalecimento da imunidade. Porém, apesar da aparência inofensiva, essa prática pode representar um risco para o coração, principalmente em pessoas com doenças cardiovasculares ou predisposição a elas.
Cardiologistas explicam que mudanças repentinas de temperatura provocam reações automáticas no organismo, que podem afetar diretamente o sistema cardiovascular. Quando o corpo entra em contato com água muito fria, o cérebro aciona o sistema nervoso simpático, responsável por preparar o organismo para situações de alerta.
Segundo o médico cardiologista Hugo Faria, do Hospital Santa Helena, quem deseja adotar o banho frio deve fazer isso de maneira gradual, reduzindo a temperatura de forma progressiva para evitar o disparo exagerado do sistema de alerta do organismo. “Temperaturas extremas nunca favorecem o coração. O ideal é que o banho seja confortável e sem mudanças bruscas”, orienta Faria.
O banho gelado causa infarto?
O infarto não acontece por causa de um banho específico, mas sim por um acúmulo de fatores ao longo da vida:
sedentarismo;
colesterol alto;
tabagismo;
pressão descontrolada, entre outros
No entanto, de acordo com o cardiologista Carlos Nascimento, do Hospital Brasília Águas Claras, a água muito fria ou muito quente pode funcionar como o gatilho final em pessoas vulneráveis.
Entre os grupos mais suscetíveis estão:
hipertensos;
pessoas com histórico de infarto;
idosos;
indivíduos com obstruções nas artérias do coração e pacientes com arritmias.
E quando a água é muito quente?
Temperaturas muito elevadas também podem trazer prejuízos. A água quente demais provoca dilatação dos vasos sanguíneos, reduzindo de forma acentuada a pressão arterial. Isso pode gerar tontura, fraqueza, visão embaçada e até desmaios. Em pacientes com doenças cardíacas, essa queda brusca de pressão pode comprometer a circulação nas artérias coronárias e gerar riscos importantes.
Sinais de alerta durante o banho
Procure ajuda imediata caso surjam:
Dor no peito
Falta de ar repentina
Palpitações fortes
Tontura
Suor frio
Visão embaçada
Desmaio
Evitar extremos de temperatura previne infarto?
Controlar a temperatura da água pode reduzir riscos, mas não substitui as principais formas de prevenção. Para realmente diminuir a chance de um ataque cardíaco, especialistas recomendam manter a pressão e o colesterol sob controle, adotar alimentação equilibrada, praticar exercícios físicos, não fumar e dormir bem.
A partir dos 40 anos, acompanhar regularmente o cardiologista e realizar exames de rotina é fundamental. “Esses cuidados são essenciais para evitar o surgimento dos fatores de risco e, consequentemente, prevenir o infarto”, reforça o cardiologista João Poeys Júnior, do Hospital DF Star.
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