Relatório da Polícia Civil do Rio de Janeiro mostra que Philippe Marques Pinto, de 29 anos, já realizou ao menos 3 viagens ao país
Lucas Cheiddi

Philippe Marques Pinto, integrante do CV que teria ido à Ucrânia | Foto: Reprodução/Internet
Investigadores da Polícia Civil do Rio de Janeiro informaram que um integrante do Comando Vermelho (CV) viajou à Ucrânia para adquirir treinamento em táticas usadas em zonas de guerra. O foco das investigações é Philippe Marques Pinto, de 29 anos, que possui antecedentes criminais relacionados ao tráfico de drogas.
Segundo a corporação, Philippe embarcou três vezes do Aeroporto do Galeão, no Rio, com destino inicial a Lisboa, Portugal, antes de chegar à região em conflito. A primeira estada, iniciada em junho de 2023, durou seis meses; na segunda, entre junho de 2024 e junho de 2025, ele permaneceu um ano na Europa. Uma terceira viagem ocorreu em 9 de setembro deste ano.
Conexões com o CV e ação policial
Agentes policiais encaminham membros do Comando Vermelho para a prisão | Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
As autoridades reuniram imagens que mostram Philippe armado, com uniforme militar e presente em áreas de combate na Ucrânia. Ainda não há confirmação se ele já retornou ao Brasil ou permanece em solo europeu. Ele seria aliado de Antonio Hilário Ferreira, conhecido como “Rabicó”, liderança do Comando Vermelho e chefe do Complexo do Salgueiro, em São Gonçalo (RJ).
A Delegacia de Repressão a Entorpecentes vai abrir um inquérito para investigar Philippe, que responderá por apologia e associação ao tráfico. A apuração ocorre no contexto da operação policial da semana passada contra o CV, que resultou em 121 mortes no Rio de Janeiro, incluindo quatro policiais. Outras 113 pessoas foram presas.
O caso reascendeu o debate sobre o projeto de lei que define facções criminosas como organizações terroristas, o qual tem apoio de parlamentares de oposição ao governo de Luiz Inácio Lula da Silva. Contudo, o texto teve sua votação postergada na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados.
O governo Lula argumenta que a proposta pode comprometer a soberania nacional e abrir espaço para sanções ou intervenções externas. O Executivo encaminhou ao Congresso uma proposta alternativa, que supostamente amplia penas e mecanismos de investigação. Apesar disso, setores da direita questionam a efetividade da possível nova medida.

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