Transporte aéreo de cargas rendeu R$ 225 milhões à Total Linhas Aéreas
Luis Batistela

O presidente da CPMI do INSS, senador Carlos Viana (Podemos-MG) | Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado
A Total Linhas Aéreas firmou R$ 225 milhões em contratos com os Correios no governo de Luiz Inácio Lula da Silva. A empresa é liderada por Paulo Almada, ex-assessor e amigo do senador Carlos Viana (Podemos-MG), presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito do Instituto Nacional do Seguro Social.
O parlamentar indicou o diretor responsável pela área que assinou os acordos. O jornal O Estado de S. Paulo divulgou as informações nesta segunda-feira, 10.
Almada assumiu o comando da Total em dezembro de 2023. Desde então, a transportadora assinou dez contratos e três aditivos com a diretoria de Operações da estatal. Os serviços cobrem rotas noturnas de carga entre São Paulo, Belo Horizonte, Recife, Porto Alegre e Florianópolis.
Nos quatro anos do governo de Jair Bolsonaro, os contratos da Total somaram R$ 148 milhões. Com Lula, os valores subiram 52%. Segundo dados do Portal da Transparência, 98% dos contratos em vigor foram assinados sob a nova gestão da empresa.
O maior deles, de R$ 76,6 milhões, saiu dois meses depois de Sérgio Kennedy Soares Freitas assumir a diretoria de Operações dos Correios — cargo que Viana ajudou a preencher. Freitas recebeu a nomeação em junho de 2025. Antes, havia atuado no Departamento de Transportes da empresa.
Na semana passada, os Correios anunciaram a saída de Freitas. No entanto, o substituto recusou o cargo, e Freitas retornou ao posto no dia 7.
Relação entre Viana e Almada envolve família e negócios
As relações entre Viana e Almada não se limitam ao campo político. O senador usou o endereço do empresário como comitê de campanha em 2022. Também comprou combustíveis de um posto pertencente a ele. Além disso, empregou uma irmã de Almada e mantém o irmão como advogado da Total.
Almada ocupou cargos comissionados ligados a Viana desde 2018. Seu último posto no Senado terminou em janeiro de 2025.
Mesmo fora do Senado, Almada manteve trânsito livre no Congresso. Recebeu uma credencial oficial do líder do PT no Senado, Rogério Carvalho (SE), que admitiu a amizade com o empresário. Segundo Carvalho, a credencial atendeu a um pedido informal.
O líder petista confirmou também que ajudou Viana a viabilizar a nomeação de Freitas para a diretoria dos Correios. O senador afirma que a bancada do Podemos debateu a escolha do nome, mas não houve consenso. Assim, articularam a solução com apoio do PT.
Senador mantém negócios no exterior com aliado político
A atuação de Viana com Almada se estende ao exterior. Em 2023, o senador figurou como dirigente da offshore Cliclog LLC, registrada na Flórida. A empresa tem ligação com a Ecojet, companhia aérea com sede em Goiânia e operações na Bolívia.
A Constituição permite que parlamentares administrem empresas fora do país, desde que não tenham contratos públicos. A Cliclog não possui vínculos com o governo, mas a Total, empresa de Almada, sim.
Viana deixou a offshore em setembro de 2023, mas continuou a se relacionar com ela. Em maio de 2024, comprou da Cliclog um apartamento em um resort de Orlando por US$ 270 mil. O imóvel de 135 m² não foi declarado à Justiça Eleitoral em sua candidatura à prefeitura de Belo Horizonte, em 2024.
O senador alegou que financiou o bem com empréstimo bancário e que declarou o imóvel no Imposto de Renda.
Em viagem recente à China, Viana negociou com a estatal de aviação Comac. Estava licenciado do Senado na ocasião. A Total afirma que venceu licitações por pregão eletrônico. Almada nega favorecimento político.
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