RADIO WEB JUAZEIRO : Conheça a cidade destruída por um tornado no Paraná



segunda-feira, 10 de novembro de 2025

Conheça a cidade destruída por um tornado no Paraná

Em dois minutos, a vida virou do avesso em Rio Bonito do Iguaçu

Artur Piva
Escombros da CERBI. uma das escolas destruídas pelo Tufão em Rio Bonito do Iguaçu - 08/11/2025 | Foto: Reprodução/Juliana Provin

Em Rio Bonito do Iguaçu, no interior do Paraná, quase tudo sempre foi mato. O município tem 680 quilômetros (km²), e menos de 3 km² formam toda a área urbana (a cidade) — ou, pelo menos, formavam. Na sexta-feira 7, um tornado pegou a população de surpresa e deixou uma trilha de devastação por onde passou. Em dois minutos, a vida virou do avesso.

Segundo as estimativas do governo do Estado, os ventos fortes afetaram 90% de todas as construções da cidade. Dos pouco menos de 13 mil moradores do lugar, ao menos mil estão desabrigados e 700 deram entrada em hospitais da região.

Embora esteja em um dos Estados mais ricos do país, os números de Rio Bonito do Iguaçu registram desenvolvimento abaixo da média. Das quase 400 cidades paranaenses, 252 geram mais riqueza por habitante. O Produto Interno Bruto per capita local é de R$ 33 mil. No Estado, o valor é R$ 47 mil e no Brasil, quase R$ 43 mil.

O lugar fica a cerca de 300 km de Foz do Iguaçu. É uma pequena e típica cidade do interior do país. Modesta. Mas não uma terra de pobreza extrema. A vida funcionava com simplicidade conveniente para a pequena população — e algumas boas mudanças apareciam no horizonte.

Há cerca de 20 dias, o perfil do Instagram da prefeitura fez postagens para celebrar uma melhoria muito valorizada por quem está cercado por terra: o asfaltamento e o recapeamento de ruas. São imagens de máquinas novas que cobrem ruas inteiras com asfalto novo, finalizado como um tapete. Entre elas, uma das principais vias: a 7 de Setembro, onde se alternam residências, comércios e a prefeitura, no cruzamento com a Avenida Dom Pedro II.

O que o tornado levou em Rio Bonito do Iguaçu

Dois meses antes do tornado, parte da Rua 7 de Setembro era pavimentada com calçamento de pedras, do tipo que fazia suspender todos os carros. Em 19 de setembro, Rildo Safraider, vice-prefeito, aparece em uma gravação em comemoração e faz anúncio de uma nova fase na infraestrutura urbana rio-bonitense. “Dentro de poucos dias, muitas ruas com asfalto em nosso município”, disse na postagem ainda no Instagram da prefeitura.

Na mesma página, outro vídeo fala de bairros inteiros que receberão asfalto. Além disso, o município estava próximo de inaugurar seu primeiro Pronto Atendimento Municipal de Saúde, obra custeada pelo governo do Paraná. “O projeto estava na fase final de construção”, comenta Matheus Mello, de 29 anos, procurador do município.

Eloi Mello em frente ao que aos escombros do escritório de contabilidade – 8/11/2025 | Foto: Reprodução/Juliana Provin

Mello é um dos muitos cidadãos afetados pelo desastre. Porém, ele mesmo relata que o estrago na propriedade dele não foi dos piores. “Perdemos as telhas da cozinha e do quarto”, disse. “Quando vi o que tinha acontecido em minha casa, não imaginava tantos problemas no restante da cidade.”
Avenida XV de Novembro, a principal via de Rio Bonito do Iguaçu – 08/11/2025 | Foto: Reprodução/Juliana Provin

Segundo o procurador, o tornado acabou com escolas, o prédio da prefeitura, a obra do pronto atendimento, grande parte das casas e imóveis comerciais da cidade. O escritório de contabilidade do pai dele, Eloi Mello, de 50 anos, ficou em ruínas. Quase 30 anos de trabalho varridos pela tempestade.

Antes do mau tempo

Por volta das 17h de sexta-feira, Mello havia chegado em casa. No céu, as nuvens anunciavam uma tempestade. Porém, nada que parecesse tão destoante da realidade local. Ele conta que nunca havia visto nada igual àquele tornado por lá. “Chovia, às vezes forte, mas nada assim”, disse.

Centro Municipal de Convenções – 8/11/2025 | Foto: Reprodução/Juliana Provin

Mesmo com as nuvens, o dia estava quente. O procurador resolveu tomar um sorvete do lado de fora, na rua, sentado na calçada. Coisa de quem vive a tranquilidade de uma cidade pacata. Ao terminar, olhou para os céus e decidiu voltar para dentro. Cinco minutos depois de fechar a porta, o tornado. Nas contas dele, dois minutos depois a cidade do lado de fora já era outra. O vento atingiu 250 km/h. Passados os tufões, restou uma chuva sobre os escombros por mais 50 minutos de agonia.

Depois do tornado

Apesar de frequentar diariamente Rio Bonito do Iguaçu, Juliana Provin, de 42 anos, não estava lá quando a tempestade começou. Ela resolveu deixar o escritório de advocacia no centro da cidade por volta de meia hora antes do desastre. “Vi o alerta de que teria uma chuva forte às 17h30 e resolvi ir para casa.”
Escombros da Cerbi. uma das escolas destruídas pelo Tufão em Rio Bonito do Iguaçu – 8/11/2025 | Foto: Reprodução/Juliana Provin

A advogada mora em Laranjeiras do Sul, um município próximo. Por lá, não houve estragos. Apenas a falta generalizada de energia elétrica, que a fez ficar sem notícias do que estava acontecendo ao lado, na terra onde ganha o sustento. Quando a luz voltou e as mensagens chegaram no celular, Juliana entrou no carro e foi direto para o lugar da tragédia.

“O trânsito estava muito ruim”, disse. “Todo mundo vindo no lado contrário, saindo de lá. Até porque não tem hospital, então não tinha outro jeito para os feridos.”

Ao entrar em Rio Bonito do Iguaçu, em vez da pequena e agradável cidade da labuta diária, encontrou o que descreveu como o cenário de uma guerra. “Parecia as cenas de destruição da guerra na Faixa de Gaza que eu vejo na TV”, lamentou. “Postes caídos, árvores caídas, casas destruídas e as pessoas andando no escuro de um lado para o outro, sem saber para onde ir.”

Supermercado destruído pelo Tufão – 8/11/2025 | Foto: Reprodução/Juliana Provin

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