RADIO WEB JUAZEIRO : Centrão pressiona Tarcísio a anunciar candidatura à Presidência



quinta-feira, 6 de novembro de 2025

Centrão pressiona Tarcísio a anunciar candidatura à Presidência

Governador de SP mantém cautela e aguarda chamado definitivo de Bolsonaro

Edilson Salgueiro
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, participa da abertura oficial do Summit Agenda Sp+Verde - 4/11/2025 | Foto: Aloisio Mauricio/FotoArena/Estadão Conteúdo

Tarcísio de Freitas (Republicanos) segue peça central nas articulações políticas para 2026. Segundo líderes partidários do centrão, chegou a hora de o governador de São Paulo anunciar a candidatura à Presidência da República.

Entre os mais entusiasmados com a ideia estão Antonio Rueda, presidente do União Brasil, e o ex-ministro Ciro Nogueira (PP). O centrão acredita que a queda na popularidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o apoio dos brasileiros à recente megaoperação policial no Rio de Janeiro criaram um ambiente propício para a direita voltar a protagonizar o debate público. É por isso que, a partir de agora, Tarcísio começará a intensificar o discurso de combate ao crime organizado. Nesta quinta-feira, 6, o governador estará ao lado do secretário de Segurança Pública de São Paulo, Guilherme Derrite, e do ex-capitão do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) Rodrigo Pimentel para uma entrevista no Flow Podcast.

Tarcísio aguarda o chamado de Bolsonaro

Apesar da pressão, Tarcísio aguarda o chamado definitivo de Jair Bolsonaro. O ex-presidente, segundo interlocutores ouvidos por Oeste, segue considerando o governador paulista como seu sucessor natural.

Aliados de Tarcísio garantem que o governador aceitaria a missão apenas se fosse encomendada pessoalmente por Bolsonaro. Esse gesto simbolizaria uma transferência de legitimidade dentro do bolsonarismo — algo que o governador paulista não pretende precipitar.

As peças do tabuleiro

Enquanto Tarcísio aguarda o sinal verde de Bolsonaro, as articulações em Brasília avançam. A desistência de Ratinho Jr. de concorrer ao Planalto, pressionado pelo pai, o apresentador e empresário Carlos Massa, abriu espaço para novos arranjos políticos. Ratinho Jr. não deve ser mais cabeça de chapa na disputa pelo Planalto, mas não descarta ser vice de Tarcísio — uma ideia que, segundo aliados do governador paranaense, o agrada.

Ciro Nogueira também possui a ambição de ocupar a Vice-Presidência, em eventual parceria com Tarcísio. Já a senadora e ex-ministra da Agricultura Tereza Cristina (PP) surge como alternativa do centrão, por ser capaz de dialogar com o agronegócio e dar um tom moderado à chapa.

Outro nome recorrente é o do senador Flávio Bolsonaro (PL), que carrega o peso do sobrenome e mantém relações saudáveis com os Três Poderes. Sua presença, avaliam aliados, garantiria identidade com o eleitorado raiz de Bolsonaro sem afastar os setores moderados. Outro integrante da família, Eduardo Bolsonaro garante que disputará a Presidência da República em 2026. O PL, contudo, o vê como peça fundamental no Senado por São Paulo.

Cláudio Castro, o dissidente discreto

Um ponto de atenção no entorno de Bolsonaro é o governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, também do PL. Embora filiado ao mesmo partido, Castro tenta se desvincular da imagem de Bolsonaro desde 2022, quando se recusou a seguir a estratégia do ex-presidente de declarar a TV Globo como “inimiga”.

De lá para cá, a relação entre ambos é meramente institucional. Em 28 de outubro deste ano, Castro chegou a ligar para a presidente do PT, Gleisi Hoffmann, para assegurar que não pretendia atacar o governo Lula. Horas antes, o governador havia criticado a falta de apoio federal à megaoperação contra o Comando Vermelho. O gesto de conciliação foi malvisto por bolsonaristas, que o veem cada vez mais distante da base ideológica do PL.

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