Governador de São Paulo foca a agenda local depois de desgaste com o Supremo Tribunal Federal
Luis Batistela

A visita a Bolsonaro estava prevista para o dia 15, mas foi cancelada depois que Moraes limitou as autorizações de acesso ao ex-presidente | Foto: Reprodução/X/@tarcisiogdf
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), se reúne nesta segunda-feira, 29, com Jair Bolsonaro, em Brasília. O encontro acontece na casa onde o ex-presidente cumpre prisão domiciliar, depois de ser condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 27 anos de prisão por suposta tentativa de golpe.
Será a primeira vez que os dois se veem desde a decisão do STF. A visita ocorre em meio a um momento de silêncio por parte de Tarcísio. Ele tem evitado temas nacionais e concentrado sua agenda no interior paulista.
Até o início de setembro, o governador participava de eventos com empresários, fazia discursos em tom nacional e ensaiava falas com cara de campanha. Chegou a subir o tom contra o ministro Alexandre de Moraes, do STF, chamando-o de “tirano”.
Também se destacou ao articular nos bastidores uma proposta de anistia aos envolvidos nos atos do 8 de janeiro. No entanto, a guinada mais dura provocou desgaste. Ministros do STF reagiram mal às críticas. Como resultado, líderes políticos começaram a enxergar em Tarcísio um perfil mais radical.
A opinião pública também deu sinais de desconforto. Nos bastidores, o governador confidenciou a aliados que perdeu o entusiasmo com uma possível candidatura ao Planalto em 2026.
A visita a Bolsonaro estava prevista para o dia 15, mas foi cancelada depois que Moraes limitou as autorizações de acesso ao ex-presidente. O tribunal apenas autorizou o encontro para esta segunda-feira.
“Eu vou visitar um amigo e prestar solidariedade a ele”, disse Tarcísio. “É uma coisa que eu vou fazer sempre, porque tenho preocupação e consideração com uma pessoa que sempre foi muito importante para mim.”
Tarcísio prioriza agenda dentro de São Paulo
Tarcísio passou a evitar especulações. Nesse sentido, voltou a priorizar entregas e agendas em cidades do Estado de São Paulo. Esteve em Campinas, Guarulhos, Embu das Artes, Presidente Prudente, Iepê e Taquarituba. Passou também a falar diretamente com prefeitos e deputados estaduais.
A “desnacionalização” de sua agenda ainda tem como pano de fundo o impacto da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) das Prerrogativas, que tentava limitar poderes do Judiciário.
Aliados mais próximos ainda veem potencial em uma candidatura presidencial. Contudo, por ora, o governador aposta na gestão local e tenta preservar sua imagem de gestor técnico.
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