Fábio Gentil, também ex-prefeito de Caxias, é investigado por participação em esquema de propina na educação
Luis Batistela

A investigação faz parte da Operação Lei do Retorno, que apura o desvio de verbas da Educação em municípios maranhenses | Foto: Reprodução/Polícia Federal
Durante uma operação da Polícia Federal (PF) no fim de agosto, o secretário de Agricultura do Maranhão, Fábio Gentil, escondeu o próprio celular dentro da pia do banheiro. O portal Metrópoles divulgou as informações nesta quinta-feira, 25.
A tentativa de ocultação ocorreu enquanto agentes cumpriam mandado de busca no apartamento onde Gentil morava com sua namorada, a deputada estadual Daniella Jadão Meneses (PSB), em São Luís.
A investigação faz parte da Operação Lei do Retorno, que apura o desvio de verbas da educação em municípios maranhenses. Segundo a PF, o esquema pode ter movimentado até R$ 50 milhões em contratos fraudulentos com prefeituras, incluindo a de Caxias, onde Gentil foi prefeito até o início de 2025.
Gentil e Daniella Meneses aparecem entre os principais suspeitos da operação. De acordo com a PF, os dois viabilizaram contratações suspeitas com empresas envolvidas no desvio de recursos públicos. O casal nega qualquer irregularidade.
No dia da operação, Gentil alegou que seu celular estava no carro do motorista. Mesmo assim, os agentes decidiram revistar o apartamento. Ao entrarem na suíte, encontraram o aparelho escondido no compartimento da pia.
Na mesma ação, os policiais apreenderam cerca de R$ 30 mil em espécie dentro do imóvel, valor atribuído a Gentil.
Esquema começou a ruir depois de apreensão de R$ 575 mil
A operação teve início quando a Polícia Rodoviária Federal apreendeu R$ 575 mil em espécie dentro de um Toyota Corolla. O dinheiro estava com dois suspeitos identificados como intermediários. O carro usado no transporte estava registrado em nome da mãe de Meneses. Um dos ocupantes do veículo, segundo os investigadores, é tio da parlamentar.
A PF afirma que o valor apreendido seria entregue a um servidor do município de Caxias. Esse funcionário, por sua vez, faria o repasse da propina a Gentil e Meneses. A transação, segundo os investigadores, recompensaria o direcionamento de contratos públicos a empresas envolvidas no esquema.
A investigação identificou que as empresas beneficiadas agiam antes da abertura formal de qualquer concorrência. Propostas eram entregues diretamente a servidores da Prefeitura de Caxias. Só depois, com base nesses documentos, os próprios servidores montavam os Termos de Referência, manipulando os procedimentos para justificar a inexigibilidade de licitação.
Segundo relatório da PF, esse modelo foi usado repetidamente por Gentil durante sua gestão. A prática incluía encontros entre o ex-prefeito e os representantes das empresas, sempre antes da formalização de qualquer contrato.
Para os investigadores, a operação visava a viabilizar repasses de recursos do Fundeb a empresas já escolhidas, em um processo invertido e ilegal.
A defesa de Gentil e Meneses declarou que o processo corre em segredo de Justiça e, por isso, não comentaria detalhes da apuração. Em nota, os dois afirmaram confiar nas instituições e disseram que “todos os fatos serão oportunamente elucidados junto aos órgãos investigativos competentes”.
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