Presidente dos Estados Unidos afirmou que o que ocorre com o brasileiro é uma 'caça às bruxas'
Lucas Cheiddi

Donald Trump (à esq) e Jair Bolsonaro (à dir), durante jantar em Mar-a-Lago, na Flórida - 7/3/2020 | Foto: Alan Santos/PR
Críticas do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ao processo judicial envolvendo o ex-presidente do Brasil Jair Bolsonaro voltaram a ganhar destaque internacional depois de nova publicação, feita na noite desta terça-feira, 8, na rede social Truth Social. O republicano pediu que o liberal fosse “deixado em paz”, depois de classificar as investigações como “caça às bruxas”.
O líder norte-americano repostou uma mensagem do dia anterior, quando já havia expressado descontentamento com a situação do brasileiro. Na publicação anterior, Trump afirmou que o julgamento de Bolsonaro deveria ocorrer “pelo voto do povo brasileiro”.
“O grande povo do Brasil não vai tolerar o que estão fazendo com seu ex-presidente”, escreveu Donald Trump, em seu perfil. “Estarei acompanhando muito de perto a caça às bruxas contra Jair Bolsonaro, sua família e milhares de seus apoiadores. O único julgamento que deveria estar acontecendo é o julgamento pelo voto do povo brasileiro. Isso se chama eleição. Deixem Bolsonaro em paz.”
Trump comparou o atual cenário brasileiro com episódios que ele próprio enfrentou nos Estados Unidos, depois da invasão ao Capitólio. “Isso não é nada mais nada menos do que um ataque a um oponente político — algo que eu conheço muito bem!”, escreveu. “Aconteceu comigo, dez vezes pior, e agora o nosso país é o mais ‘quente’ do mundo!”
Reações do governo brasileiro depois da fala de Trump
Gleisi Hoffmann e Lula | Foto: Alessandro Dantas/PTAs declarações do presidente norte-americano provocaram reações imediatas de autoridades brasileiras. Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, em nota, ainda na segunda-feira 7, que não aceita interferências externas em assuntos internos do país. “A defesa da democracia no Brasil é um tema que compete aos brasileiros”, escreveu. “Somos um país soberano.”
A ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, também criticou a manifestação de Trump. Segundo ela, o norte-americano não tem legitimidade para atuar no processo judicial brasileiro.
O posicionamento do presidente dos Estados Unidos ocorre num contexto de pressão de apoiadores de Bolsonaro para que Washington sancione Alexandre de Moraes, ministro do Supremo Tribunal Federal.
Jair Bolsonaro segue inelegível em razão de uma decisão do Tribunal Superior Eleitoral. Além disso, ele é réu em uma ação penal no Supremo Tribunal Federal por suposta tentativa de golpe durante a eleição de 2022. Apesar das manifestações internacionais, ministros do STF afirmam que as investigações seguem sem influência externa e que o julgamento está previsto para ocorrer entre agosto e setembro.
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