Com a Selic em 11,25%, o documento da reunião do grupo destaca urgência de um controle fiscal rigoroso no Brasil
Redação Oeste

Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, participa da Reunião com as Lideranças dos Grupos de Engajamento do G20, em cerimônia no Palácio do Planalto, em Brasília | Foto: Ricardo Stuckert/PR
Em editorial publicado nesta quarta-feira, 13, o jornal O Estado de S. Paulo escreveu que a ata do Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central (BC), foi um puxão de orelha do órgão no governo Lula. O documento é referente à reunião da última semana, que definiu o aumento da taxa básica de juros no Brasil, a Selic, para 11,25% ao ano.
Além disso, o jornal destacou a importância do que entendeu ser um alerta sobre a política fiscal do governo, presente no documento. A ata ressalta que, se as expectativas de inflação piorarem, o ciclo de aumento dos juros pode se prolongar. A mensagem teria vínculo à credibilidade das medidas fiscais, entre elas, o tão aguardado pacote de cortes de gastos.
“O possível prolongamento do aperto monetário foi o principal recado do BC que, embora mais uma vez tenha evitado indicar seus próximos passos, reafirmou o compromisso de trazer a inflação para o centro da meta, de 3% ao ano”, escreveu o Estadão. “Mais uma vez os integrantes do Copom frisaram que o esmorecimento no esforço de reformas estruturais e disciplina fiscal traz impactos deletérios sobre a potência da política monetária.”
Apesar de o jornal escrever que a ata mencionou a eleição de Donald Trump nos Estados Unidos, com destaque a medidas de estímulos fiscais e tarifas de importação, também colocou que o foco do documento permaneceu nos desafios internos do Brasil.
“A desancoragem das expectativas ‘é um fator de desconforto comum a todos os integrantes do comitê’ é outra mensagem direta de que a mudança no comando do banco a partir de janeiro, quando a presidência será ocupada por Gabriel Galípolo, indicado de Lula da Silva, não significará uma alteração de rota”, escreveu o Estadão.
Desafios econômicos do governo Lula
Lula e Haddad têm se reunido para discutir possível plano de gastos, mas divulgação da proposta tem sido adiada | Foto: Paulo Pinto/Agência BrasilA inflação acumulada em 12 meses atingiu 4,76% e superou o teto da meta de 4,5% para 2024. Embora haja sinais de moderação em alguns indicadores econômicos, como comércio e rendimentos, a economia ainda não apresenta uma mudança clara de trajetória.
O consumo continua aquecido em razão do mercado de trabalho forte, aumento real dos rendimentos e programas de transferência de renda. Entretanto, a produtividade não acompanha esse crescimento, o que resulta em inflação de demanda.
A inflação dos serviços está além do desejado, e o Banco Central seguirá atento à relação entre salários e preços, apesar do desconforto manifestado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Política fiscal rigorosa
O documento também enfatiza a importância de uma política fiscal rigorosa para fortalecer a eficácia das medidas monetárias. O Banco Central alerta que, sem controle fiscal adequado, a única ferramenta disponível para controlar a inflação será manter a Selic em altos níveis. Isso abertamente desagrada ao governo.
O Banco Central observa que uma redução estrutural nos gastos pode incentivar o crescimento econômico a médio prazo. A mensagem, segundo o Estadão, é clara: medidas fiscais sólidas são essenciais para estabilizar a dívida e restaurar a confiança dos investidores.
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