RADIO WEB JUAZEIRO : Carrefour na França diz que empresa vai parar de vender carne do Mercosul



quinta-feira, 21 de novembro de 2024

Carrefour na França diz que empresa vai parar de vender carne do Mercosul

Presidente de varejista global anuncia restrição nas redes sociais, mas operação brasileira afirma que nada muda no mercado local; governo e entidades lamentam declaração de executivo

Fabio Boueri-
Segundo entidade que representa a indústria brasileira exportadora de carne, posição de CEO do Carrefour é contraditória: 1,2 mil lojas dependem da proteína produzida no Mercosul | Foto: Reprodução/Redes sociais

O CEO do Carrefour, Alexandre Bompard, publicou nesta quarta-feira, 20, um comunicado informando que a varejista global não vai mais comercializar carne proveniente do Mercosul“. O bloco reúne Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai.

O CEO Alexandre Bompard: decisão teria motivações políticas e o objetivo de estabelecer proteção econômica ao sindicato agrícola francês | Foto: Reprodução/Twitter/Z


A carta tem como destinatário Arnaud Rousseau, presidente da Federação Francesa dos Sindicatos de Agricultores. No documento, Bompard não detalha se a medida refere-se a todas as lojas do Carrefour na Europa ou se limita ao Carrefour França.

Política de compras não muda, diz Carrefour Brasil

Em entrevista ao site g1, o Carrefour Brasil disse que a decisão em “nada muda as operações no país”. Assim, sugere o posicionamento, os supermercados do grupo em território nacional irão continuar comprando carne principalmente de frigoríficos brasileiros.

A filial brasileira não informou, contudo, o volume de compra e venda de carne do Mercosul ou do Brasil. Em nota, o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) declarou que rechaça as declarações do CEO do Carrefour.


A pasta afirmou que “reitera a qualidade e compromisso da agropecuária brasileira com a legislação e as boas práticas agrícolas”. O governo acrescenta que o Brasil atende aos padrões “rigorosos” da União Europeia. Afirma, do mesmo modo, que o bloco compra e atesta, por meio de suas autoridades sanitárias, a qualidade das carnes do país.

Além disso, o ministério diz que apresentou à União Europeia propostas de modelos eletrônicos. Esses modelos contemplam as etapas iniciais do Regulamento de Desmatamento da União Europeia para a rastreabilidade da pecuária brasileira.

A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec) lamentou a declaração de Bompard. A entidade considerou a fala contraditória, “vindo de uma empresa que opera 1,2 mil lojas no Brasil, abastecidas majoritariamente com carnes brasileiras”.

A instituição destacou ainda que a medida coloca em risco o próprio negócio, uma vez que a produção local não supre a demanda interna. A Abiec informa que, em 2023, o Brasil respondeu por 27% das importações de carne bovina da União Europeia e o Mercosul, por 55%.

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