RADIO WEB JUAZEIRO : Amorim diz que Brasil vive ‘mal-estar’ com Venezuela, mas não fala em ditadura



quarta-feira, 30 de outubro de 2024

Amorim diz que Brasil vive ‘mal-estar’ com Venezuela, mas não fala em ditadura

Assessor especial de Lula confirma que país foi contra adesão de Caracas ao Brics, mas chama reação de Maduro de 'desproporcional'

Redação Oeste
Celso Amorim falou sobre Venezuela nesta terça-feira, 29 | Foto: Vinicius Loures/Câmara dos Deputados

O assessor especial do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Celso Amorim, disse nesta terça-feira, 29, que o governo vive um “mal-estar” com o regime da Venezuela. A declaração foi dada durante a Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional da Câmara dos Deputados.

Segundo Amorim, esse foi o motivo pelo qual o país discordou da adesão da Venezuela ao bloco dos Brics. No entanto, ele evitou chamar a decisão de “veto”.

“Há um mal-estar hoje”, disse o assessor de Lula. “Torço para que desapareça, mas vai depender de algumas ações.”

Amorim rebateu as críticas do ditador Nicolás Maduro, que acusou o Brasil de traição depois de prometer não impedir a entrada do país vizinho no bloco.

Maduro disse que ao se despedir, ainda ouviu uma negativa do chanceler Mauro Vieira. Segundo o ditador, o assessor quase “desmaiou” ao encontrá-lo de relance nos corredores da cúpula.

Para Amorim, a reação do ditador venezuelano foi “totalmente desproporcional”.

“A reação que tem havido à entrada da Venezuela no Brics é uma reação totalmente desproporcional, cheia de acusações ao presidente Lula e à chancelaria”, afirmou o ex-chanceler.

Para Caracas, o veto brasileiro “constitui uma agressão e um gesto hostil que se soma à política criminosa de sanções que foram impostas contra o povo valente e revolucionário da Venezuela”.

Parlamentarem cobraram Amorim por “chacota” de Venezuela

Os parlamentares cobraram Amorim pelo que chamaram de “chacota” de Nicolás Maduro. Marcel Van Hattem (Novo-RS) afirmou que o ministro Mauro Vieira foi “humilhado” por Maduro na TV venezuelana.

Amorim afirmou que, entre Mauro Vieira e Maduro, sempre vai dizer que o ministro brasileiro tem razão, mas que “formalmente não houve veto”, porque não ocorreu uma votação em Kazan.

“As decisões são tomadas por consenso, e o Brasil achou que neste momento a Veneuzela não contribui para o melhor funcionamento do Brics”, disse Amorim. Ele destacou que a decisão é momentânea.

O assessor de Lula afirmou que o Brasil não concordou com a expansão desenfreada do Brics e pontou que os países convidados devem ser representativos nas suas regiões econômica e politicamente.

“A Venezuela de hoje não preenche essas condições”, afirmou. “Não foi um veto. Porque existe esse mal-estar, que espero que possa se resolver à medida que as coisas se normalizem, os direitos humanos sejam respeitados, as eleições sejam realizadas, as atas apareçam. Não foi ideológico sequer.”

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