RADIO WEB JUAZEIRO : Pesquisadores revelam estrutura de cromossomos de mamute congelado há 52 mil anos



terça-feira, 16 de julho de 2024

Pesquisadores revelam estrutura de cromossomos de mamute congelado há 52 mil anos

O animal, objeto de estudo dos cientistas, foi encontrado na Sibéria, no leste da Rússia

REDAÇÃO OESTE
De acordo com os autores da pesquisa, essa descoberta permite uma melhor compreensão do material genético do mamute e suas diferenças em relação a outras espécies | Foto: Divulgação/Universidade de Copenhagen

Uma equipe de pesquisadores da Universidade de Copenhagen, na Dinamarca, identificou a estrutura dos cromossomos de um mamute lanoso. O animal, encontrado em 2018, estava congelado há cerca de 52 mil anos, na Sibéria, no leste da Rússia. Os cientistas publicaram o estudo na revista científica Cell, na última quinta-feira, 11.

Cromossomos são estruturas que contém o DNA de uma pessoa e ficam localizadas nas células de cada indivíduo ou animal. De acordo com os autores da pesquisa, essa descoberta permite uma melhor compreensão do material genético do mamute e suas diferenças em relação a outras espécies.

O estudo de DNA em fósseis é comum na paleogenética — ramo das ciências naturais que estuda a genética. Marcela Sandoval-Velasco, do Centro de Hologenômica Evolucionária, da Universidade de Copenhagen, explica no artigo que “a descoberta da estrutura 3D de cromossomos antigos melhora significativamente a compreensão da composição genética das espécies”.

Desafios para estudar a genética do mamute

Um desafio desse tipo de pesquisa, no entanto, é acessar estruturas mais amplas do DNA. Normalmente, os estudiosos preservam ao longo do tempo apenas pequenas partes do código genético dos animais.

O artigo, portanto, propôs uma tecnologia para superar esses desafios. Os estudiosos aplicaram a técnica de Hi-C — um método projetado para capturar a configuração cromossômica —, que inicialmente não funcionava para materiais muito antigos.
Objetivo do estudo

A intenção foi verificar se seria viável reconstruir a estrutura cromossômica do mamute, mesmo depois de milhares de anos.

No artigo, os autores afirmam que “um processo físico pelo qual fatores como resfriamento e desidratação podem efetivamente interromper a difusão das moléculas em um material” resulta em um ambiente similar ao congelamento em vidro. Isso impede o deslocamento das moléculas.

A pele do mamute | Foto: Divulgação/Universidade de EstocolmoO animal foi encontrado na Sibéria | Foto: Divulgação/Universidade de EstocolmoA pata do mamute | Foto: Divulgação/Universidade de EstocolmoA tromba de uma fêmea jovem de mamute | Foto: Divulgação/Universidade de Estocolmo

O fato de o mamute ficar congelado na Sibéria, com invernos rigorosos, pode ter sido determinante para a preservação do material genético.

Fenômenos semelhantes podem acontecer em outros ambientes, não necessariamente frios. Segundo Marcela, o ar quente também pode levar à desidratação interna do material orgânico, o que pode facilitar o estudo.

Novas descobertas

A reconstrução da estrutura cromossômica do mamute trouxe novas informações sobre a espécie extinta. Comparações com elefantes e outros mamíferos mostraram semelhanças e diferenças.

Por exemplo, tanto o mamute quanto o elefante-asiático possuem 28 pares de cromossomos, enquanto os humanos têm 23.

Em termos de diferenças, o mamute apresentou padrões distintos de ativação genética em comparação ao elefante-asiático, o que pode indicar adaptações ao ambiente frio em que vivia.

Marcela acredita que o método será aprimorado e utilizado em outros estudos. “Esperamos que mais amostras de diferentes contextos ao redor do mundo sejam encontradas e estudadas com essas novas metodologias”, afirma a pesquisadora.

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