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sexta-feira, 5 de julho de 2024

Pesquisadores do Embrapa obtêm gelatina da pele do tambaqui

De acordo com o estudo, o coproduto pode ser usado em filmes e microcápsulas para medicamentos

REDAÇÃO OESTE
Gelatina de peixe em estado de gel | Foto: Fernanda Ramalho Procópio/Embrapa

Os pesquisadores da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) desenvolveram uma nova alternativa à gelatina convencional obtida do couro bovino e suíno.

Eles conseguiram produzir gelatina a partir da pele do tambaqui (Colossoma macropomum), um peixe nativo do Brasil que possui grande importância econômica.

Normalmente, a pele, escamas e cabeça do tambaqui são usadas para fabricar ração para peixes. A gelatina extraída tem aplicações alimentícias e farmacêuticas, o que pode classificá-la como um coproduto de maior valor agregado.

As propriedades observadas indicam que essa gelatina pode ser usada em filmes, microcápsulas para medicamentos e espessantes, além de ajudar na redução de resíduos.

Crescimento da produção de peixes no Brasil

A produção de peixes no Brasil tem crescido significativamente, demonstrando melhorias no processamento. Pesquisas como o projeto BRS Aqua da Embrapa visam a otimizar e expandir a cadeia produtiva.

Segundo o Anuário da Associação Brasileira de Piscicultura (Peixe BR 2022), a produção nacional de pescado aumentou 45% desde 2014, com a tilápia representando 65% da produção e o tambaqui liderando entre as espécies nativas com mais de 30% do total.

O projeto BRS Aqua, que conta com financiamento do BNDES, CNPq e MPA, é coordenado pela Embrapa Pesca e Aquicultura (TO) e envolve mais de 240 empregados de 23 unidades da Embrapa, além de mais de 60 parceiros públicos e privados.

Manuel Antônio Jacintho, pesquisador da Embrapa Pecuária Sudeste (SP), afirma que converter resíduos em produtos de valor torna a cadeia mais sustentável. Ele destaca a diversidade de peixes nativos brasileiros e o potencial tecnológico dos resíduos da pesca.

As utilidades da gelatina de tambaqui
Geralmente, a pele do tambaqui é descartada ou enviada para fabricantes de rações | Foto: Divulgação/Prefeitura de Belém

O tambaqui é o peixe nativo mais produzido no Brasil. Sua pele possui características tecnológicas que podem substituir as gelatinas bovinas e suínas. A gelatina da pele de tambaqui apresentou rendimento de extração de aproximadamente 53%, poder de gelificação adequado e baixa turbidez.

Com Bloom médio, essa gelatina pode ser usada para clarificar bebidas e produzir cápsulas moles. Um estudo publicado na revista Journal of Aquatic Food Product Technology destaca o potencial dos resíduos de pesca como fonte de peptídeos bioativos.

Explorar aplicações e estratégias para utilizar resíduos do processamento de tambaqui contribui para uma economia circular na indústria de pescado, aumentando a renda do produtor e reduzindo o impacto ambiental.

A gelatina é promissora para a produção de micropartículas, filmes e hidrogéis. O coproduto também possui potencial para fabricação de embalagens alimentícias.

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