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sexta-feira, 1 de março de 2024

PF indicia Carla Zambelli e hacker por invasão do site do CNJ

A deputada e Walter Delgatti Neto teriam implantado documentos falsos no sistema de Justiça

REDAÇÃO OESTE
PGR decidirá se vai denunciar a deputada Carla Zambelli | Foto: Divulgação/Agência Brasil

A Polícia Federal (PF) indiciou a deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) e o hacker Walter Delgatti Neto por invasão do site do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). O crime teria ocorrido em 4 de janeiro de 2023, e a conclusão do inquérito aconteceu nesta quinta-feira, 29.

Ambos teriam praticado o crime de falsidade ideológica. Durante a ação, foram inseridos documentos falsos no sistema do Judiciário, como uma falsa ordem de prisão contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes.

Com a conclusão do inquérito, o documento será analisado pela Procuradoria-Geral da República (PGR), que será responsável por decidir se irá denunciar Carla Zambelli ao Supremo. Caso a denúncia ocorra, será aberta uma ação penal, que pode levar à condenação ou à absolvição. O relator do caso é o próprio Moraes.

A Polícia Federal não conseguiu encontrar trocas de mensagens entre o hacker e a deputada. Ele disse aos investigadores que apagou as conversas por precaução. Apesar disso, a corporação encontrou quatro documentos falsos em equipamentos pessoais de Zambelli, que são os mesmos inseridos por Delgatti no sistema do CNJ.

Os documentosUma ordem de quebra do sigilo bancário de Moraes. O documento foi gerado no computador de Delgatti em 4 de janeiro de 2023, às 22h22, e baixado no celular da deputada apenas 22 segundos depois. A investigação informou que, “tão logo Walter baixou o documento do site do CNJ, ele o encaminhou para Carla, que o baixou/abriu”;

Um recibo de bloqueio de bens de Moraes, no valor de R$ 22,9 milhões, criado em 4 de janeiro de 2023. O valor é o mesmo que a multa imposta ao Partido Liberal por contestar a eleição. O arquivo foi encontrado no celular de Zambelli.

Um outro recibo de bloqueio de bens do ministro, no valor de R$ 500 mil, criado em 25 de novembro de 2022. A Polícia não encontrou o mesmo documento no celular da deputada, mas achou dois arquivos com nomes distintos gerados no mesmo dia, antes de Delgatti inserir no CNJ.

Uma minuta do mandado de prisão contra Moraes, criado em 4 de janeiro de 2023. O documento foi encontrado no celular de Zambelli no mesmo dia.

Zambelli teria escrito minuta da falsa ordem de prisão

A PF acredita que a deputada teria recebido a minuta da falsa ordem de prisão e enviado para a imprensa, que publicou o documento na noite de 4 de janeiro. Isso motivou a investigação da PF.

Zambelli teria o objetivo de espalhar suspeitas sobre a credibilidade do Judiciário, que é responsável por gerenciar o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), na época presidido por Alexandre de Moraes.

(Clique na imagem para visualizá-la em tamanho real.)
Minuta da falsa ordem de prisão contra Alexandre de Moraes | Foto: DivulgaçãoMinuta da falsa ordem de prisão contra Alexandre de Moraes | Foto: Divulgação

O relatório da PF informa que Delgatti foi “instigado pela parlamentar para acessar o sistema do CNJ, com o intuito de causar prejuízo à imagem do Judiciário e de um ministro do STF”. “Tanto que [Zambelli] recebeu os documentos comprovando as invasões ao sistema e as inserções de documentos falsos”, diz o documento.

O hacker está preso preventivamente por causa da invasão do sistema do CNJ. Em depoimento à PF, ele confessou o crime e disse que Zambelli participou. Ela teria escrito o texto do mandado de prisão contra Moraes.
O que diz Zambelli

A defesa da deputada Carla Zambelli divulgou uma nota para a imprensa em que nega a participação da parlamentar no crime. No texto, o advogado Daniel Leon Bialski diz que ainda não conseguiu ler a conclusão do inquérito, mas “reforça que ela jamais fez qualquer tipo de pedido para que Walter Delgatti procedesse invasões à sistemas ou praticasse qualquer ilicitude”.

Segundo a defesa, o fato de a deputada ter recebido eventualmente documentos não evidencia sua participação no crime. “Ainda mais que ficou demonstrado que não houve qualquer encaminhamento a terceiros, bem como ficou igualmente comprovado que incorreram repasses de valores como aleivosamente sugestionado por aquele”, concluiu.

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