Celso Lafer destacou que o Hamas apoiou a fala de Lula contra Israel
REDAÇÃO OESTE
Lula fez declaração no domingo 18 em entrevista coletiva na Etiópia | Foto: Marcelo Camargo/Agência BrasilO ex-ministro das Relações Internacionais do Brasil Celso Lafer disse que a associação que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez entre as operações de Israel em Gaza com o Holocausto “mina a credibilidade internacional” do país.
Em uma declaração à CNN, Lafer, que foi chanceler em 1992 e entre 2001 e 2002, afirma que a associação de Lula foi indevida e não foi gerada apenas pelo “improviso”. “Não creio que se possa dizer que Lula atravessou a rua para escorregar numa casca banana que estava do outro lado apenas pelo seu improviso. Ele fez uma associação que não corresponde à verdade e que é ofensiva”, declarou Lafer.
Segundo o ex-chanceler, as ações de Israel em Gaza podem ser questionadas, mas não têm comparação com os horrores do Holocausto, “que fere que fere a consciência judaica e fere consciência moral da humanidade”.
A credibilidade internacional do Brasil fica abalada, diz ex-ministro
O ex-chanceler Celso Lafer afirmou que Lula não agiu apenas de improviso, mas fez associação não verdadeira e ofensiva | Foto: Reprodução/Wikimedia CommonsNo âmbito interno, a declaração do petista gera polarização e, no cenário externo, “mina a credibilidade internacional do Brasil no momento de grandes tensões”. “Quem apoiou a declaração de Lula foram o Hamas e o Irã, e não creio que seja o respaldo desses dois personagens internacionais os que pode ajudar o soft power da credibilidade internacional do Brasil”, declarou Celso Lafer.
A declaração de Lula foi criticada por entidades ligadas a Israel, especialistas em diplomacia e política externa e por parlamentares, que querem o impeachment do petista.
Israel, depois de o primeiro-ministro classificar as declarações de Lula como “vergonhosas” e de chamar o petista de um “virulento antissemita”, declarou o presidente brasileiro como persona non grata.
Em resposta, Lula, em vez de uma retratação, repreendeu o embaixador israelense no Brasil, Daniel Zonshine, e convocou o embaixador brasileiro em Israel, Frederico Meyer.
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