Para o jornal, 'não durou muito a farsa' de que Lula iria 'recuperar a democracia' do país
ANDERSON SCARDOELLI
Lula disse que após próxima reunião, que ocorrerá antes do fim deste ano, ministros vão poder tirar férias | Foto: Fátima Meira/Futura Press/Estadão ConteúdoAlvo de ataques promovidos por membros do PT e aliados, o jornal O Estado de S. Paulo (Estadão) afirma que “os petistas sempre hostilizaram a imprensa livre”. A afirmação da publicação consta em editorial publicado nesta quarta-feira, 22.
“Não durou muito a farsa segundo a qual Lula da Silva precisava ser eleito para, segundo suas palavras, ‘recuperar a democracia neste país'”, afirma o jornal, em trecho de seu editorial, texto que representa a opinião de uma empresa de comunicação. O veículo de mídia ressalta, na sequência, que o presidente da República e outros representantes do PT têm histórico de não respeitar o jornalismo independente.
De acordo com o Estadão, “bastou que a imprensa começasse a publicar notícias desfavoráveis ao governo para que esses campeões da democracia voltassem a ser o que sempre foram — a vanguarda da truculência”. Além disso, o jornal cita que “para a seita petista, vale tudo, até mentir e distorcer, para desmoralizar aqueles que ousam revelar os malfeitos do governo de Lula.”
Para reafirmar o entendimento de que petistas hostilizam a imprensa livre, a equipe do Estadão voltou à história do fim de semana. Isso porque no domingo 19, a deputada federal pelo Paraná e presidente nacional do PT, Gleisi Hoffmann, atiçou a militância virtual para proferir ataques ao jornal e à editora-executiva da publicação em Brasília, Andreza Matais. O motivo das ofensas virtuais foi a série de reportagens sobre a “Dama do Tráfico”, que teve reuniões no Ministério da Justiça e Segurança Pública. Em jogo, a tentativa de promover uma suposta denúncia contra Andreza para, consequentemente, descreditar o conteúdo produzido pelo impresso.
Titular da pasta, Flávio Dino ajudou a compartilhar os ataques contra o Estadão. O mesmo ocorreu com o influenciador digital Felipe Neto, que integra o “conselhão” de Lula, e o jornalista Leandro Demori, que tem salário mensal de R$ 36 mil para apresentar um programa semanal na TV Brasil, emissora pública mantida pela Empresa Brasil de Comunicação.
“Esse é o padrão de atuação dos petistas”, reforça o jornal. “Para eles, nem é preciso que a informação seja verdadeira para que seja usada em favor de seus propósitos autoritários, isto é, difamar o jornal que revelou que a mulher de uma das lideranças do Comando Vermelho participou de reuniões no Ministério da Justiça e Segurança Pública.”
Diante de ataques de petistas contra a imprensa livre, Estadão ganha apoio de entidades
Gleisi Hoffmann criticou Rodrigo Pacheco por causa de um projeto de lei que obriga o pagamento de emendas parlamentares. O PL ainda não foi votado | Foto: Lula MarquesPor fim, o Estadão destaca que os ataques de petistas repercutiram entre entidades voltadas ao trabalho da imprensa. Foi o caso, por exemplo, da Associação Nacional de Jornais. A instituição atentou-se, além de tudo, ao fato de os ataques terem sido direcionados a uma mulher jornalista, no caso Andreza Matais.
Além disso, outras três entidades de jornalismo repudiaram, na noite desta terça-feira, 21, os ataques virtuais contra o Estadão. A Federação Nacional dos Jornalistas e o Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Distrito Federal assinaram comunicado em conjunto, no qual pediram respeito ao código de ética da categoria. A Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo falou em “ambiente massacrante” promovido por entes do PT.
“Mas os petistas perdem tempo e energia”, afirma o Estadão. “Desde sua fundação, há quase 150 anos, este jornal nunca vergou diante da força bruta dos inimigos da democracia, e não serão os arreganhos dos sabujos de Lula da Silva que o intimidarão. Continuaremos a publicar tudo o que nosso jornalismo apurar, a respeito deste ou de qualquer outro governo, pois a função da imprensa responsável e livre é revelar aos cidadãos o que os poderosos querem esconder. Isso sim é democracia — sem aspas.”
A íntegra do editorial de O Estado de S. Paulo está disponível na internet.
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