Magistrada ainda acusou o homem de 'bocudo' e desconsiderou o depoimento dele durante audiência em Santa Catarina
CRISTYAN COSTA
A juíza Kismara Brustolin, da vara da Justiça do Trabalho em Xanxerê, no Oeste de Santa Catarina, durante audiência com testemunha - 14/11/2023 | Foto: ReproduçãoAos gritos, a juíza Kismara Brustolin, da vara da Justiça do Trabalho em Xanxerê, no Oeste de Santa Catarina, obrigou uma testemunha a chamá-la de “Excelência”, durante uma audiência que ocorreu em 14 de novembro. As imagens, contudo, só vieram à tona agora.
Durante o ato, a magistrada interrompe a fala de um homem e o adverte para o pronome de tratamento. Ele interpela Kismara sobre a necessidade do pedido, ao passo que ela responde que, embora não seja obrigatório, deseja assim ser chamada.
“É para dizer ‘o que a senhora deseja, Excelência'”, repreende Kismara. O homem, então, diz não entender o que está havendo e se propõe a dar mais informações. Ao dirigir-se para o advogado, a juíza ameaça: “Se ele não fizer isso, o depoimento terminará e não será considerado”. Em determinado momento, Kismara manda a testemunha parar de falar e o chama de “bocudo”.
Visivelmente irritada, a juíza manda alguém de sua equipe tirar o homem do ar e avisa ao advogado que o depoimento da testemunha foi desconsiderado.
Depois do episódio, o Tribunal Regional do Trabalho de Santa Catarina informou, em nota, que suspendeu a realização de audiências, por parte da juíza, e que “a Corregedoria Regional vai instaurar procedimento apuratório de irregularidade”.
OAB se manifesta após juíza gritar em audiência
“A Ordem dos Advogados do Brasil — Seccional de Santa Catarina, por sua presidente, vem por meio deste, solicitar apoio em razão de um lamentável ocorrido. Durante a audiência de instrução por videoconferência realizada no dia 14 de novembro deste ano, às 15h, na Vara de Trabalho de Xanxerê, a juíza substituta Kismara Brustolin apresentou atitudes e comportamentos agressivos para com os advogados, partes e testemunhas.
Por este motivo, solicitamos providências urgentes no sentido de apurar com rigor o ocorrido para que esse tipo de comportamento não volte a se repetir.”
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