RADIO WEB JUAZEIRO : Ministério Público lista 5 erros na investigação de palmeirense assassinada



sexta-feira, 14 de julho de 2023

Ministério Público lista 5 erros na investigação de palmeirense assassinada

Depoimento de suspeito é diferente do que o delegado afirmou ter sido dito

REDAÇÃO OESTE
Promotor do Ministério Público de São Paulo considera "estranha" a postura do delegado da investigação da morte da palmeirense Gabriela Anelli | Foto: Reprodução/Instagram

O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) encontrou cinco erros na investigação do caso da palmeirense Gabriela Anelli, que morreu, aos 23 anos de idade. O jornal O Globo divulgou a informação nesta quinta-feira, 13.

No sábado 8, Gabriela foi atingida por uma garrafa arremessada no confronto entre a torcida do Palmeiras e a do Flamengo. Ela morreu na segunda-feira 10.

O suspeito de ter arremessado a garrafa em Gabriela é o flamenguista Leonardo Felipe Xavier Santiago, de 26 anos. Ele foi solto na quarta-feira 12, por decisão da juíza Marcela Raia de Sant’Anna.

Os erros encontrados pelo Ministério Público na investigação da morte da palmeirense
A palmeirense Gabriela Anelli, de 23 anos: morta em briga de torcedores | Foto: Reprodução/Redes sociais

A juíza Marcela atendeu ao pedido do MP-SP, que apontou cinco falhas na investigação do caso. Esse processo é conduzido pela Delegacia de Repressão e Análise aos Delitos de Intolerância Esportiva (DRADE).

Confira, a seguir, quais erros o Ministério Público encontrou na investigação da morte da palmeirense.1) Contradição entre o depoimento do suspeito e a versão do delegado

O delegado que estava responsável pela investigação, César Saad, disse que Leonardo admitiu ter arremessado garrafas contra palmeirenses, embora tenha negado o objetivo de atingir Gabriela.

Em manifestação na Justiça, o Ministério Público disse que a versão apresentada pelo suspeito no interrogatório sobre a morte da palmeirense para a prisão foi diferente.

Leonardo disse que, “em suas mãos, tinha algumas pedras de gelo, as quais chegou a usar para revide” contra os supostos rojões lançados por palmeirenses na torcida flamenguista.

Ele fez a declaração no sábado, dentro da delegacia montada no Allianz Parque, estádio do Palmeiras. O suspeito também disse que as pedras de gelo “eram muito pequenas e não atingiram sequer a barreira” que separava as torcidas. Ele ainda negou ter “arremessado qualquer objeto de vidro para o lado dos palmeirenses”.2) Diferença entre os vídeos da briga e a declarações do delegado

“Para além da inexistência da confissão anunciada pelo delegado, as imagens que aportaram nesta Promotoria de Justiça evidenciam a necessidade de que a investigação prossiga”, escreveu o promotor Rogério Leão Zagallo.

Isso porque os vídeos recebidos para a investigação mostram um homem barbado, com uma camisa cinza, e que arremessou uma garrafa de vidro contra os torcedores.

Já o flamenguista Leonardo, que foi detido na investigação, não usa barba nem vestia uma camisa do Flamengo no momento da prisão.3) Versão de testemunha é diferente das imagens da briga

Um homem tido como testemunha na investigação disse que Leonardo foi responsável pela agressão que vitimou Gabriela. Ele declarou que a garrafa arremessada “bateu em seu peito, estilhaçou e atingiu o pescoço de sua colega”.

Porém, Zagallo disse que as imagens registraram que a garrafa atingiu primeiro um portão. De fato, atingiu a testemunha, mas quando já estava partida.4) “Postura estranha” do delegado

O promotor do Ministério Público de São Paulo disse que o delegado Saad agiu com uma “postura algo estranha” na investigação da morte da palmeirense.

“Esse fato praticado por uma autoridade pública é assaz grave e censurável, pois, além de tipificar uma falácia, tem o poder de gerar falsas expectativas nos familiares de Gabriela, fazendo-os acreditar que a pessoa que assassinou o ente querido teria admitido o erro cometido e que sua justa e correta punição não tardará a materializar-se”, disse, referindo-se ao fato de o delegado ter dito que o suspeito admitiu culpa.5) Ausência de interrogação dos guardas-civis

Os guardas-civis metropolitanos (GCM) foram os profissionais de segurança que intervieram na confusão que tirou a vida da palmeirense. Porém, não foram ouvidos pela investigação.

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