Jurista, que foi presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo, concedeu entrevista ao programa Oeste Sem Filtro
REDAÇÃO OESTE-

O jurista Ivan Sartori em entrevista ao programa Oeste Sem Filtro — 13/7/2023 | Foto: Reprodução/YouTube/Revista Oeste
A fala do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luís Roberto Barroso, sobre ter ajudado a derrotar o “bolsonarismo”, segue repercutindo negativamente nos meios político e jurídico. O jurista Ivan Sartori foi mais um a criticar a declaração do magistrado.
De acordo com Sartori, desembargador aposentado e ex-presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP), Barroso protagonizou uma “situação bem complicada”. Sartori, que soma 38 anos de serviços prestados à magistratura brasileira, falou sobre o tema em entrevista à edição desta quinta-feira, 13, do programa Oeste Sem Filtro.
Na visão de Sartori, o ministro do STF tem acumulado declarações que não condizem com a postura a ser adotada por membros do Poder Judiciário. “Vem lançando manifestações que não estão de acordo com o cargo que ocupa”, disse o desembargador aposentado. Nesse sentido, lembrou-se, durante a entrevista, que o integrante do Supremo já falou, por exemplo, “perdeu, mané”, ao ser abordado por um cidadão em Nova Iorque.
Sartori afirmou que Barroso e qualquer outro juiz precisam se manter distantes da política. “O magistrado tem de se resguardar”, afirmou o entrevistado do Oeste Sem Filtro. “É preciso ter certa discrição”, prosseguiu o jurista.
A análise de Sartori é referente à fala de Barroso durante evento da União Nacional dos Estudantes. Ao marcar presença do evento na noite de quarta-feira 12, o ministro afirmou que “nós derrotamos o bolsonarismo”. Ou seja, colocou-se como personagem ativo de um processo político.

O ministro Luís Roberto Barroso, do STF, discursa em congresso da UNE — Brasília, 12/7/2023
Barroso pode ser alvo de processo de impeachment, diz Ivan Sartori
Ivan Sartori reforçou que, com esse tipo de declaração de cunho político, Luís Roberto Barroso pode acabar como alvo de um processo de impeachment. Ele reforçou, contudo, que um eventual trâmite para cassar o mandato de um ministro do STF é de responsabilidade exclusiva do Senado. Mas ele insiste, a postura de Barroso “preocupa” e mostra que o Supremo acaba de se mostrar como um “superpoder”, acima de outros órgãos da República.
Parte da oposição ao governo Lula começou a se movimentar nesse sentido. Em poucas horas, 38 deputados assinaram ofício para protocolar pedido de impeachment de Barroso.
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