O magistrado também voltou a criticar a Operação Lava Jato
REDAÇÃO OESTE
Gilmar Mendes criticou a 'chuva de Pix' recebida por Dallagnol | Foto: Nelson Jr./SCO/SFTO ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), debochou das doações que o ex-deputado Deltan Dallagnol (Podemos-PR) recebeu de apoiadores depois de ter sido cassado.
No sábado 15, o magistrado afirmou que Dallagnol “já pode fundar uma igreja” por ter recebido uma “chuva de Pix”.
Gilmar proferiu as declarações num evento on-line do Grupo Prerrogativas, composto de advogados, juristas e defensores públicos ideologicamente alinhados com o governo de Luiz Inácio Lula da Silva. Na ocasião, o grupo prestava homenagem a Sepúlveda Pertence, ex-ministro do STF morto em 2 de julho, aos 85 anos.
“Esses dias via o Dallagnol dizendo que, quando saiu da Câmara, estava no avião e começou a chover Pix”, afirmou Gilmar. “É o novo contato com a espiritualidade, a espiritualidade do dinheiro. Certamente já pode fundar uma igreja.”
Depois de ter seu mandato cassado, o parlamentar publicou um vídeo em suas redes sociais, em 12 de junho, agradecendo pelas transferências via Pix recebidas de seus apoiadores.
Dallagnol afirmou que o gesto seria uma “expressão de solidariedade” e chamou os doadores de “agentes de Deus” em sua vida.
Gilmar aproveitou o momento para criticar a Operação Lava Jato, encerrada em 2021, e disse ser necessário repensar o “modelo Moro-Dallagnol” de atuação do Ministério Público.
“O que eu diria para as novas gerações? Mirem naquilo que não deu certo”, afirmou. “O modelo Moro-Dallagnol deu errado. Vamos salvar o Judiciário desse grande escândalo. Não acreditem que são o quarto poder, porque não são.”
Relembre o caso
Dallagnol recebeu 344 mil votos em 2022 | Foto: Wilson Dias/Agência BrasilO Tribunal Superior Eleitoral (TSE) decidiu, por unanimidade, cassar o registro de candidatura do até então deputado Deltan Dallagnol (Podemos-PR). O recurso foi apresentado pela Federação Brasil da Esperança (PT-PC do B-PV), no Paraná, e pelo PMN (Partido da Mobilização Nacional).
Os partidos questionaram a ficha limpa do congressista, já que ele respondia a processos administrativos. O relator do caso, ministro Benedito Gonçalves, considerou que o deputado antecipou sua demissão do cargo de procurador no Paraná para evitar punições administrativas do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), que poderiam torná-lo inelegível.
O ex-deputado foi o mais bem votado no Estado do Paraná nas eleições de 2022, com 344 mil votos.
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