RADIO WEB JUAZEIRO : Aumento de casos e mortes por dengue deixa saúde na Bahia em alerta



quinta-feira, 13 de julho de 2023

Aumento de casos e mortes por dengue deixa saúde na Bahia em alerta

Casos de dengue grave aumentaram em 2023 em comparação com 2022
 
Autor: Maurício Viana*

No primeiro semestre deste ano, já foram notificados 31.864 casos prováveis de dengue no estado - Foto: Divulgação | Secti

O número de casos de dengue grave em 2023 aumentaram 168% em comparação ao mesmo período do ano passado, subindo de 250 para 670 casos. O número de mortes caiu em torno de 55%, mas os nove casos, além do notificado pela Prefeitura de Alagoinhas na semana passada, deixam os órgãos de saúde do estado e dos municípios em alerta.

Segundo os dados da Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab), no primeiro semestre deste ano, já foram notificados 31.864 casos prováveis de dengue no estado. No mesmo período de 2022, foram notificados 39.343, um incremento de 8,6%. O órgão tem notado um crescimento preocupante com quadros que evoluíram para uma gravidade maior e, posteriormente, para óbito, sem contar com as taxas de circulação viral, de densidade do vetor, da movimentação da população e das condições ambientais dos locais

A diretora da Vigilância Epidemiológica (Divep) da Sesab, Márcia São Pedro, lembra que nem todo caso de dengue grave é caso de dengue hemorrágica. “A gravidade da dengue não é definida apenas pela existência de hemorragias. Outras condições também se colocam como gravidade, a exemplo do choque e manifestações neurológicas. Por esse motivo, utiliza-se a nomenclatura dengue grave”, explica a diretora.

Entre as mortes definidas pela Câmara Técnica, uma foi como dengue hemorrágica e duas como febre hemorrágica, sendo as outras seis entre dengue e dengue grave. As regiões do leste baiano, com Feira de Santana e Alagoinhas, vêm chamando a atenção pelos casos de óbitos por dengue grave neste ano. Na cidade de Alagoinhas, município a 120km da capital baiana, um óbito por dengue hemorrágica, a variação mais perigosa da doença, foi registrado no dia 03 de julho, sendo a primeira causada pela doença grave na cidade.

A diretora de Vigilância em Saúde da Secretaria Municipal de Saúde (Sesau) de Alagoinhas, Telma Pio, informa que o caso foi classificado como dengue grave aguda e a partir de um achado clínico do médico, que constatou o diagnóstico pelos sintomas e sem a realização do exame. A diretora da Divep lembra que os óbitos são investigados pelos munícipios e validados pelo Comitê de Óbitos municipal ou estadual num processo de investigação com dados laboratoriais e de avaliação do quadro clínico. “Este óbito de Alagoinhas foi notificado tardiamente. Não houve ainda a confirmação”, pontua.

Segundo a diretora, foram notificados 200 casos de dengue no município em 2023. Comparado ao ano passado, houve um aumento perceptível. “Ano passado, praticamente não tivemos casos porque estávamos em um cenário ainda de Covid, com um quantitativo para dengue com cerca de 100 casos notificados. Em relação às mortes, tivemos nenhuma no ano passado e já estamos há algum tempo sem registro de mortes”, pontua.

Esses números trazem preocupação para o município. “Eu tinha, no ano passado, um índice de infestação que não subia para mais de 1, em torno de 0,9 ou 0,7, que é um estado tranquilo. Hoje, o índice está em 2,9, que já é um estado de alerta e preocupante. O estado grave é a partir de 3 e 4 para cima. Mas, já estamos próximo. Nós ficamos bem preocupados. Por isso, estamos fazendo diversas ações no município”, complementa.

A diretora de Vigilância Epidemiológica (Divep) da Sesab, Márcia São Pedro, comenta a necessidade do combate às arboviroses por meio da intersetorialidade entre o estado, os municípios e a população. A dengue, assim como outras arboviroses, tais a zika e a chikungunya, é adquirida e transmitida pela picada do mosquito Aedes Aegypti, mais conhecido como mosquito da dengue, ou o Aedes Albopictus. A única forma de evitar é com o combate do mosquito, por meio da eliminação dos criadouros.

“Cabe ao munícipio, fazer seu dever de casa para não deixar os terrenos baldios com acúmulo de lixo e manter baixo o seu índice de infestação predial para que assim possamos combater todos juntos. Já a população precisa, a cada dia, ter o cuidado com os seus recipientes. O governo do estado continua trabalhando com a vigilância ativa a todo o momento, prestando atenção onde tem a ocorrência de casos, realizando os bloqueios que são importantes e fazendo as investigações dos casos em tempo oportuno”, pontua.

A diretora de Alagoinhas concorda na importância desse trabalho conjunto, inclusive, iniciado desta forma com os agentes de endemia indo nas casas. Além disso, estão realizando: instruções de foco; comissões com outras secretarias do município; bloqueios de transmissão com inseticidas para matar os mosquitos possivelmente contaminados; mutirões de limpeza; palestras em escolas e repartições públicas; e as visitas domiciliares.

No entanto, reafirma o papel da população. “Ela precisar tomar a responsabilidade dela. Nesse período de pandemia, nós não adentrávamos nas residências por causa do Covid. Agora, estamos vendo o resultado das visitas não feitas. Precisamos retomá-las, vasculhando os quintais de forma ininterrupta. 90% dos focos do Aedes Aegypti estão dentro das residências. Mas, muitas pessoas acham que estão apenas nos terrenos baldios, que se tornam um foco reprodutivo do mosquito por causa do lixo jogado pelo morador naquele lugar. Só a vegetação alta não se torna um ponto de foco”, finaliza.

Em Feira de Santana, aconteceram mais três mortes por dengue grave. Segundo os dados da Coordenação de Vigilância Epidemiológica de Feira de Santana, foram registrados 806 casos no total, sendo 136 com sinais de alarme e oito graves, além de contabilizar quatro mortes pelo agravo. A pasta municipal da saúde atribui o aumento à presença da nova variante do vírus da dengue tipo 2, chamada cosmopolita, e ao fato do ano de 2023 ser considerado um ano epidêmico pelo Ministério da Saúde.

Entre as medidas tomadas para combater o problema, estão: a retomada do Comitê de Arboviroses; a ampliação de locais para testagem; a distribuição de repelentes para gestantes; o reforço das unidades de urgência e emergência; a distribuição de sais de reidratação nas unidades básicas; a intensificação da ação dos agentes de endemias; a distribuição de capas de tanques para eliminar focos do mosquito; reuniões com núcleos de vigilância da rede pública e privada; e a capacitação sobre o manejo clínico da dengue para profissionais de saúde.

*Sob a supervisão do editor Rafael Tiago Nunes

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