RADIO WEB JUAZEIRO : RECORDANDO



quarta-feira, 10 de agosto de 2022

RECORDANDO

CASAS MUSICAIS QUE MARCARAM ÉPOCA EM JUAZEIRO


Até o início da década de 60, poucas pessoas possuíam rádio, em Juazeiro.O jovem que tivesse vontade de ouvir música de vanguarda teria que se deslocar para dois pontos músicais, que marcaram época: Bar Grande Ponto - na Boa Esperança, o BE - e Bar Primavera, na rua D'Apolo, no térreo do prédio da Maçonaria. Na Primavera ouvia - se maís músicas modernas, da nova fase da MPB. No BE o repertório era mais dançante.

Bar Grande Ponto

Localizado,na esquina da Boa Esperança, no efervescente puteiro da época, lá se podia ouvir músicas mais populares, principalmente, para dançar. Naquele ambiente de luxúria,a grande atração do salão de dança, era um vaporzeiro, chamado Elias Leite de Onça. Era um negão esguio, muito elegante. Quando Elias tirava uma menina para dançar a platéia parava, empolgada com seus passos, elegantes. Quando estive em Buenos Aires e me deletei com autênticos shows de tango, num clima de muita sensibilidade, lembrei - me de Elias Leite de Onça que, por certo,se tivesse nascido na capital portenha, dançaria igual ou melhor do aqueles bailarinos do tango argentino.. No Grande Ponto rolava muita música mexicana e cubana. O cubano Xavier Cugat,era apreciadissimo pelo público dançante. Sua orquestra era inconfundível. Outro cubano de grande destaque,na época,era Bienvenido Granda , escutado pela orquestra Matanceira. O bolero La Barca, na voz do chileno Lucho Gatica e Tu Precio, cantado pelo cubano,para mim eram verdadeiros hinos do BE era uma zona chique que abrigava as moças bonitas das cidades periféricas, desvirginadas, antes do casamento e por isso expurgadas de casa por seus pais machistas. O abrigo era a Boa Esperança, o famoso puteiro de Juazeiro,uma referência regional.

Bar Primavera

O Bar e Sorveteria Primavera foi o primeiro estabelecimento do gênero a se destacar pela limpeza, boa música e elegância de bem servir. Seus garçons,sempre de gravata borboleta, com um atendimento que lembrava o Tabaris,de Salvador. O bar exibia um grande painel em uma de suas paredes,pintado pelo saudoso artista plástico Sanduarte. A obra de arte recebeu o nome Primavera. Merecia estar hoje no museu. Infelizmente foi feita na parede de um bar.

No Bar Primavera podíamos encontrar os Juazeirenses mais badalados,assim como os turistas. Lá estiveram personalidades como Jorge Amado, o cineasta Nelson Pereira dos Santos, os artistas de cinema Jurema Pena , Milton Gancho, Geraldo Dele Rey, Leonardo Vilar, Vanja Orico e Glória Menezes. A presença desses astros ocorreu porque, em determinada época,Juazeiro foi palco de três grandes filmes do cinema brasileiro - Seara Vermelha, Lampião, o Rei do Cangaço e Mandacaru Vermelho.
De frente a Primavera havia um banco,onde as jovens garotas da sociedade ficavam sentadas, após o " footing" na Rua D'Apolo - aquele assento público focou conhecido pelo nome " Quem Me Quer" .

Foi ao som do Bar Primavera que tomei conhecimento das músicas cantadas por Agostinho dos Santos,Dolores Duran e outras músicas de vanguarda, composta por um jovem compositor e pianista chamado Antônio Carlos Jobim - o Tom. Suas músicas serviriam de base para a maior revolução musical da MPB ,a chamada Bossa Nova, consolidada com a batida, sincopada, do violonista Juazeirense - João Gilberto - o Joãozinho de Patu.

A sonorização do Bar Primavera era moderna, com o famoso som com duas caixas acústicas e o bom gosto musical do seu propietário Milton Bastos. A Primavera, como era conhecido,resistiu ao longo do tempo, passando por vários proprietários , perdendo por consequência, aquele " glamour" do romantismo de Juazeiro, vivido até o início da década de 60.Como não tínhamos rádio em casa,a Primavera marcou muito a minha formação musical. Foi alí que aprendi a gostar da boa música, projetada pela sonorização daquele inesquecível bar da rua D'Apolo. Nunca ocupei uma de suas mesas. Ouvia o som daquele bar, escorado na parede da casa de Da.Matilde que ficava bem defronte a Primavera. Durante o carnaval,cujo desfile das escolas de samba se desenrolava na rua D'Apolo, conseguir uma mesa naquele bar era uma proeza. Estou me referindo a uma época, romântica onde o lança perfume era permitido, constituindo - se num objeto do desejo dos jovens, contemporâneos, amantes do carnaval.

# Em casa escrevendo um pouco do que li no livro: " DO ALTO - FALANTE À TV".

Do Escritor - JOSELINO DE OLIVEIRA.
Lançado em 2007.

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