Economistas ouvidos pelo G1 afirmam que benefício recompôs a renda perdida durante a crise e incentivou o consumo.
Por Marta Cavallini e Raphael Martins, G1
Com aumento do desemprego e queda de renda por conta da pandemia do novo coronavírus, o brasileiro foi obrigado a cortar gastos. A família de Hilderlania Alves, contudo, faz parte de um grupo que sentiu efeitos contrários: sua renda dobrou e permitiu a compra de roupas, calçados, produtos de limpeza e até adquirir pacote de dados de internet no celular.
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Hilderlania Alves e sua mãe, Luciana Nunes, já receberam quatro parcelas do Auxílio — Foto: Arquivo pessoal
O fenômeno tem nome e sobrenome: Auxílio Emergencial. Foi ele o principal responsável por recompor a renda perdida de 60 milhões de pequenos empresários, liberais e profissionais informais, e por dar gás para o consumo, principal motor da economia brasileira.
Até agora, o programa tem aprovadas 5 parcelas de R$ 600 para cada beneficiário (mães chefes de família recebem parcelas de R$ 1,2 mil). Outras 4 parcelas de R$ 300 foram anunciadas nesta terça-feira (1º) pelo presidente Jair Bolsonaro, e devem ser oficializadas por Medida Provisória.
Para economistas ouvidos pelo G1, ainda que o benefício não tenha sido suficiente para reverter a queda de 9,7% do PIB neste segundo trimestre de 2020, o tombo seria bem maior se não houvesse a transferência de renda.
Cálculo feito pela MB Associados a pedido do G1 mostra que a queda do PIB neste trimestre sem o Auxílio Emergencial poderia chegar a 18,2%. Em suas previsões, a consultoria esperava uma queda de 11,7% no período – uma diferença, portanto, de 6,5 pontos percentuais.
"Os programas de auxílio de renda ajudaram a manter certo padrão de consumo, especialmente das classes mais baixas de renda", diz o economista-chefe da MB Associados, Sérgio Vale.
"Se, em 2008, houve discussão sobre um uso mais agressivo de política monetária, dessa vez não havia alternativa a não ser o uso também agressivo da política fiscal", afirma.
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