RADIO WEB JUAZEIRO : MULHER TEM ALERGIA A ÁGUA



segunda-feira, 14 de novembro de 2016

MULHER TEM ALERGIA A ÁGUA


Condição que afeta apenas 32 pessoas no mundo impede que Rachel saia de casa em dias de chuva

Rachel acorda. E bebe um tipo de veneno que lhe dá a sensação de estar sorvendo um suco de urtigas. À medida que o líquido desce pela garganta, ela sente a pele queimar, bem como a formação de uma trilha de marcas vermelhas. Horas mais tarde, gotas abrasadoras caem do céu e, em um clube local, ela assiste pessoas se banhando em piscinas da substância irritante. Para eles, não é problema algum, mas se Rachel ousar tocar a substância, sofrerá a dor da queimadura.

Não se trata de nenhuma bizarra realidade alternativa. Este é o mundo da britânica Rachel Warwick, que é alérgica a água. É um mundo em que banhos de banheira são situações de pesadelo e que um mergulho no mar é uma ideia tão pouco atraente quanto deslizar por um tobogã de gilete. "Essas coisas são minha ideia de como deve ser o inferno", diz a mulher.

Qualquer contato com a água, incluindo seu suor, deixa Rachel com irritações doloridas, inchaços e coceiras que podem durar horas. "É como se eu tivesse corrido uma maratona. Fico cansada e tenho que me sentar para recuperar a energia. É horrível, mas seu eu chorar as coisas só pioram: minha cara incha", explica.

A condição é conhecida como urticária aquagênica. Está certamente longe de ser prazerosa, mas você deve estar mais interessado em saber como Rachel consegue sobreviver. Afinal, todos os dias algo nos lembra de que a água é a necessidade mais básica da vida - tanto que a Agência Espacial Americana (NASA) baseia sua busca por vida extraterrestre na existência de água. Pelo menos 60% do corpo humano é composto de água. Um adulto de 70kg contém 40 litros do líquido.

Mas a água em nosso corpo não parece ser um problema para quem sofre da urticária aquagênica. As reações alérgicas são detonadas pelo contato com a pele e ocorrem a despeito de temperatura, pureza ou salinidade. Mesmo a água destilada várias vezes vai causar problemas.

"Quando as pessoas sabem da minha condição, elas fazem perguntas do tipo 'como você faz para comer ou beber' ou 'como toma banho'. A grande verdade é que você precisa aguentar a dor e seguir a vida", diz Rachel.

A doença confunde os cientistas tanto como nós. Tecnicamente, a urticária aquagênica não é uma alergia, pois é uma provável reação imunológica despertada pelo corpo em vez de uma reação a agentes externos, como pólen ou amendoins.

Uma das primeiras teorias para explicar como a doença funciona é que a água interage com a camada mais externa da pele, composta majoritariamente de células mortas e substância oleosa que mantém a pele úmida. Contato com a água pode fazer com que esses componentes liberem compostos tóxicos, levando a uma reação imunológica. Especialistas também sugerem que a água simplesmente pode dissolver elementos químicos na camada de pele morta, fazendo com que eles penetrem em camadas mais profundas, onde causam a reação imunológica.

A teoria mais ousada é que a condição é deflagrada por diferenças de pressão que acionam por osmose o alarme imunológico quando a água deixa a pele.


Matt Mc Garr/Alamy Stock Photo/BBC

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