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sexta-feira, 14 de março de 2014

VAPORZINHO DE JUAZEIRO

Conheça a história dessa embarcação tão importante para o desenvolvimento de Minas Gerai e estados do Nordeste

por José de Oliveira, da Revista do Vale

Saldanha Marinho, primeiro vapor a singrar os rios das Velhas e São Francisco, hoje funciona como Centro de Informações Turísticas 
 (Foto: Divulgação / Prefeitura de Juazeiro)

Com 28 metros de comprimento, o Saldanha Marinho, mais conhecido como Vaporzinho, foi o primeiro vapor a singrar os rios das Velhas e São Francisco, em 1871, com passageiros e mercadorias. Muita gente não sabe, mas a embarcação ajudou no desenvolvimento econômico e social de Minas Gerais (sudeste), Bahia e outros estados do Nordeste, pois o mesmo fazia a rota Pirapora - Juazeiro, uma das principais do país nas primeiras cinco décadas do século passado. De apito rouco e estridente, o Saldanha Marinho navegava a 23 km/h rio abaixo e 14 km/h leito acima, segundo informações do jornal Estado de Minas.

Por viagem, levava cerca de duas dezenas de pessoas e, no máximo, seis toneladas de mercadoria. Cada viagem durava dias. E foi assim por quase 60 anos. É necessário frisar que a hidrovia do Velho Chico era um importante corredor entre o Sudeste e o Nordeste do Brasil. Primeiro, porque o São Francisco, conhecido como o Rio da Integração Nacional, corta cinco estados: Minas, Bahia, Pernambuco, Sergipe e Alagoas. Segundo: o barco era o único meio de transporte para muitos moradores das cidades cortadas pelo rio, uma vez que, naquela época, a malha rodoviária do país era deficitária e a aviação era considerada luxo.


Sua origem ainda permanece desconhecida, alguns historiadores e pesquisadores acreditam que o vapor foi construído, a pedido de Saldanha Marinho, por Henrique Dumont, pai de Santos Dumont (1876-1932). Outra parte assegura a tese de que que o vapor foi construído nos Estados Unidos, onde navegou no Rio Mississipi. No fim do século retrasado, segundo os que acreditam nessa versão, o gaiola teria sido desmontado e enviado para o Brasil. Primeiro, para ser usado no Rio Amazonas. Depois, no Velhas. Para isso, teria sido desmontado novamente e enviado para o povoado de Quinta do Sumidouro, próximo a Lagoa Santa, onde foi montado e colocado no rio.

Depois de passar muito tempo sob a ação dos vândalos, o Vaporzinho, enfim, está sendo valorizado. Desde dezembro do ano passado, a embarcação, que fica na Orla Nova de Juazeiro, se transformou no Centro de Informações Turísticas. Com novo visual, o Vaporzinho, além da da presença permanente da Gerência de Turismo do município que é responsável por informar ao visitante sobre todo o roteiro de atrativos que a cidade e região dispõe, conta ainda com o balcão do Vapor do Vinho – principal roteiro enoturístico do Nordeste.

LINHA DO TEMPO

1871: Saldanha Marinho inaugura a navegação por vapores no Rio das Velhas
1877: Embarcação é fretada pela Companhia Cedro Cachoeira para transportar tecidos da empresa
1943: O barco, com problemas na estrutura, interrompe suas viagens pelo Velho Chico
1971: Já aposentado, o gaiola é transferido para a praça em Juazeiro, às margens do São Francisco
Década de 1990: O gaiola é reformado
Década de 2000: O barco funciona como restaurante e pizzaria
2014: Centro de Informações Turísticas

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