Donos de autoescolas protestam contra obrigação de implantarem simuladores
Amanda Sant'Anna
Mais de 600 veículos dos Centros de Formação de Condutores da Bahia (CFCs), saíram em carreata, nessa quinta-feira (13/2), do Aeroclube em direção ao Detran. O movimento foi articulado pelo Sindicato das Autoescolas e Centros de Formação de Condutores do Estado da Bahia (Sindauto – BA), protestava contra a obrigatoriedade dos simuladores de direção nas autoescolas, reunindo empresas de todo o estado. Além da Bahia, a mobilização ocorreu simultaneamente em, pelo menos, 13 estados do país e antecede o ato nacional programado para dia 19 de fevereiro, no Congresso Nacional/ Brasília, com a participação de todos os sindicatos estaduais.
De acordo com o presidente do Sindauto-Ba, Abelardo Filho, a forma impositiva em que o Denatran e o Contran estão querendo implantar o simulador de direção, traz grandes prejuízos à categoria. “Um dos questionamentos principais nosso é a falta de planejamento, pois entendemos que para dar início a esta exigência, seria necessário um projeto-piloto onde pudéssemos testar a eficácia do aparelho, caso contrário a sociedade virará cobaia. Sem contar que a implantação do aparelho é cara, a manutenção é cara e a questão pedagógica é ineficiente”.
Para a aquisição do simulador de direção, o proprietário da autoescola terá que investir um valor de R$ 40 mil, além da manutenção mensal de R$ 1.500. Segundo Abelardo, há uma estimativa de que para cada cinquenta alunos será necessário a compra de dois simuladores de direção evitando assim uma demanda de fila e atraso no processo:
“As autoescolas não são contra a nenhuma medida que venha aprimorar o processo de habilitação, que venha a contribuir com a redução de acidentes. Nós somos contra é a imposição de forma inadequada e sem planejamento”, explicou.
Votação e carreata
Segundo o presidente, a categoria se uniu ao Deputado Marcelo Almeida (PMDB – PR), deputados baianos, além do apoio do Projeto Decreto Complementar (PDC) - que será votado no dia 19 de fevereiro em Brasília - dia em que também acontecerá a carreata nacional, para solicitar o revogamento da Resolução 444/2013 que exige a implantação do simulador de aulas práticas para candidatos à categoria “B”. Na oportunidade, 517 deputados se reunirão para uma votação.
Para o diretor geral de um dos Centros de Formação de Condutores de Salvador, Augusto Ratis, além de caro, o simulador não passa segurança no aprendizado do aluno.
“Do ponto de vista financeiro a imposição na compra dos simuladores tem se tornado muito caro para o usuário final e para o aluno. Além disso, não existe nenhum tipo de comprovação de que o aluno sairá um melhor motorista por conta do simulador. Discordamos da questão prática do simulador, uma vez que ele apresentará várias situações possíveis em que a pessoa poderá enfrentar no trânsito, só que uma coisa é você fazer isso diante de uma tela, outra é você fazer numa situação real, o que de fato é muito mais difícil”, comparou.
”Se contabilizarmos o valor da compra do simulador, com o custo médio mensal de manutenção, a despesa com eventuais peças de reposição do equipamento, além do investimento em infraestrutura física necessária para sua devida instalação e funcionamento, estima-se que o valor da autoescola chegue a R$ 2 mil. Esse alto custo irar gerar um grande prejuízo aos empresários, podendo trazer desempregos e até fechamento de empresas. É por esse motivo é que hoje viemos aqui dizer “Não” ao simulador”, complementou Josevaldo Costa, proprietário da Autoescola Estrela.
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