Laudo aponta "lesões de defesa" em Marcelo Pesseghini e contesta suicídio
Carlos Madeiro e Fabiana Maranhão
Policial da Rota e família são mortos em chacina em São Paulo
Em foto de rede social, o sargento da Rota Luís Marcelo Pesseghini, sua mulher, Andréia Regina Bovo Pesseghini, e o filho deles, Marcelo Eduardo Bovo Pesseghini, 13, mortos em chacina na Vila Brasilândia, zona norte de São Paulo, nesta segunda-feira (5). Além dos três, a mãe e a tia de Andréia também foram encontradas mortas em outra casa que fica no mesmo quintal. A hipótese é que o garoto tenha atirado nos familiares e depois se suicidado.
Um parecer médico-legal enviado este mês ao TJ-SP (Tribunal de Justiça de São Paulo) e ao MP-SP (Ministério Público de São Paulo) aponta "erros inaceitáveis" nos laudos do Instituto de Criminalística e contesta a tese de que o adolescente Marcelo Pesseghini, 13, matou a família e cometeu suicídio em seguida, como aponta a Polícia Civil.
O documento cita que marcas na mão e no braço do menino seriam "lesões de defesa, indicativas que a criança, antes de ser executada, tentou defender-se". O parecer afirma também que, pela posição que o corpo de Marcelo foi encontrado, é improvável que ele tenha se matado.
O documento é assinado pelo médico-legista George Sanguinetti, que ficou conhecido após causar reviravolta ao defender a tese de duplo assassinato do ex-tesoureiro Paulo César Farias e sua namorada, Suzana Marcolino, ocorrido em 1996, em Maceió.
O Tribunal de Justiça de São Paulo informou que a petição do médico-legista foi juntada ao processo. O caso, porém, ainda está na fase de inquérito policial e sequer chegou ao Ministério Público do Estado, passados mais de seis meses do crime.
De acordo com a assessoria de comunicação do DHPP (Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa), o único material que falta para concluir o caso é o resultado da quebra de sigilo telefônico da família. Um laudo revelou que, antes de morrer, Marcelo ligou dez vezes para uma mesma pessoa.
No dia seguinte aos crimes, a polícia já apresentava como principal linha de investigação a possibilidade de o estudante Marcelo Pesseghini ter assassinado a tiros o pai, Luís Marcelo Pesseghini, 40, sargento da Rota --tropa de elite da Polícia Militar--, a mãe, Andréia Bovo Pesseghini, 36, cabo da PM, a avó Benedita Bovo, 67, e a tia-avó Bernadete Bovo, 55, antes de se suicidar na Vila Brasilândia, zona norte de São Paulo.
Marcas na mão e braço
O laudo elaborado por Sanguinetti, ao qual o UOL teve acesso com exclusividade, revela que a mão esquerda de Marcelo "apresenta na região palmar equimoses, que são contusões, resultantes de ação traumática por objeto contuso."
"São lesões de defesa, indicando que o menor antes de ser executado, tentou resistência ao agressor", diz o parecer, citando que elas comprovam a tese de homicídio. O parecer também aponta lesões no antebraço esquerdo e no punho.
"Na parte interna há um ferimento perfuro-cortante, resultante também de ter oferecido resistência ao agressor. Na tentativa de desejar responsabilizar o menor pela autoria da chacina, autoridade policial declarou que resultou de haver disparado pistola ponto 40. A afirmativa que disparar uma pistola ponto 40 causa distensão muscular na palma da mão, e daí as equimoses, não é verídica. Instrutores de tiro, em unidades militares, quer das Forças Singulares, quer da PM, negam esta absurda possibilidade", afirma no documento.
No parecer, o médico-legista defende também que a posição em que o corpo do menino foi encontrada é "incompatível com a possibilidade do mesmo haver cometido suicídio". Para questionar a tese de suicídio, Sanguinetti usa também outros argumentos, como o fato de não terem sido encontradas impressões digitais do menino na arma.
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