RADIO WEB JUAZEIRO : A CASA DO POVO FOI PALCO PARA MAIS UMA DESAVENÇA ENTRE VEREADORES



sexta-feira, 1 de novembro de 2013

A CASA DO POVO FOI PALCO PARA MAIS UMA DESAVENÇA ENTRE VEREADORES

A Dama e o “Vagabundo”


Nem só de objetividades e interesses públicos vive o Legislativo brasileiro. E, se considerado o nível de parlamentares que são eleitos (em muitos casos, por meios bem discutíveis e para fins muito pessoais), a coisa fica ainda mais esdrúxula do que pode imaginar a vã filosofia dos meros mortais eleitores.

Exemplo desse distanciamento dos padrões éticos pensados por Montesquieu , quando criou a teoria dos Três Poderes e as funções destes, ocorreu na sessão ordinária da Câmara Municipal de Juazeiro, na última terça-feira (29).

Na tentativa de levar o secretário de Saúde do município, Cássio Garcia, para falar das mazelas no setor – que vão de falta de remédios em postos de saúde (apesar do mais de R$ 40 milhões recebidos só de convênios nos primeiros nove meses deste ano) a denúncia de descaso e morte de bebê por mau atendimento em clínica municipal, a vereadora Valdeci Alves(PV), conhecida como Neguinha da Santa Casa, viu 10 de seus colegas parlamentares dizerem “não” ao seu requerimento.

Só havia 15 vereadores na sessão, dos quais apenas 5 viram necessidade de chamar o secretário para dar as explicações requeridas pela colega:

Valdeci Alves(Neguinha), José Carlos Medeiros, Nalvinho, sargento Bastos e Amilton Ferreira.

Os outros 10 parecem considerar que a Saúde de Juazeiro vai muito bem, e não precisa , portanto, de explicações do secretário Cassio Garcia:

Crisóstomo Lima, Dalmir Pedra, Damião Medrado, Jean Gomes, Anderson da Iluminação, Tiano Félix, , Caffé, Anastácio, Fabinho e Agnaldo Meira.

Estarrecida com a postura dos colegas que não viram necessidade de explicações sobre a Saúde pública de Juazeiro à população, Neguinha criticou:

“Vocês estão de parabéns. A saúde de Juazeiro está morta, mas vocês não querem a convocação do secretário”.

Nesse momento, o líder do governo, Crisóstomo Lima(PCdoB)- o Zó- , despreocupado com o que se consagraria como profundo desrespeito à mulher e colega de Parlamento, tentou desqualificar a reclamação:

“Deixe de histeria, Neguinha!”

Dando resposta à falta de decoro e ao desrespeito do colega vassalo ao Executivo municipal, a vereadora rebateu:

“Me respeite, Vagabundo; me respeite!”

A sessão teve de ser encerrada ante a perda de controle geral. Mas isso não significa que o desrespeito acabou por aí. Nos corredores da Câmara, aos gritos e descompasso com o que há de ético e sóbrio, o parlamentar continuou sua fala e instigou a reação da colega. Precisou o bloco do ‘deixa-disso’ atuar, para acalmar os ânimos.

Para os padrões que políticos locais (a exemplo dos nacionais)têm vivido de descaracterização de tudo quanto é ético e moral, pode até parecer que o desrespeito do vereador ao chamar uma mulher , colega parlamentar, de’ histérica’ não significa coisa grave.

Mas isso, só aos padrões de quem já se fez amoral há muito tempo!



Por: Vera Medeiros

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