Zika destruiu tumor cerebral e pode ser útil no combate ao câncer, diz estudo
Injeção do vírus diretamente no tumor matou células-tronco de grave câncer cerebral em cobaias. Pacientes vivem em média um ano após o diagnóstico.
Por G1
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Imagem mostra preferência do zika por células-tronco neuronais. Em verde, mais acima, o vírus Zika visa células-tronco em um glioblastoma humano (câncer cerebral) (Foto: Zhu et al/2017)
A preferência do vírus zika por neurônios pode ter um “lado bom”, sugere estudo publicado no “The Journal of Experimental Medicine” nesta terça-feira (5). Isso porque, ao mesmo tempo em que essa predileção pode provocar anomalias em crianças, ela também pode destruir um grave tumor cerebral em adultos: o glioblastoma, câncer em que pacientes vivem em média um ano após o diagnóstico.
A ideia é que, como adultos não são atingidos pelo vírus zika com a mesma letalidade que fetos, a ação do vírus no cérebro poderia ser utilizada no câncer como uma espécie de terapia-alvo. Nessa estratégia, a preferência do zika por células-tronco neuronais poderia ser utilizada "em nosso favor" para atacar somente o tumor cerebral.
Hoje, o tratamento para esse tipo de câncer envolve radioterapia e quimioterapia, mas sem efeitos prolongados. Mesmo com o tratamento, células-troncos associadas ao tumor sobrevivem e “driblam” o sistema imunológico. Resultado: o tumor volta cerca de seis meses depois.
"É tão frustrante tratar um paciente tão agressivamente apenas para ver o seu tumor voltar alguns meses depois”, diz Milão Chheda, um dos autores do estudo, em nota sobre a pesquisa.
Assim, ao ver a ação do vírus da zika no cérebro de crianças, cientistas se perguntaram se o zika não poderia ser utilizado para matar células-tronco de tumores cerebrais.
"Nós nos questionamos se a preferência do vírus zika por células neurais poderia ser usada contra as células do glioblastoma", diz Michael Diamond, pesquisador da Universidade de Washington, em nota.
Para testar a hipótese, pesquisadores dividiram cobaias com glioblastoma em dois grupos: 18 camundongos foram infectados com o vírus zika e outros 15 receberam uma solução salina sem vírus ativos. As injeções foram aplicadas diretamente no tumor.
Nas cobaias que receberam o vírus zika, a injeção diminuiu o crescimento do tumor e prolongou significativamente a vida útil dos animais.
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Células-tronco do câncer cerebral (à esquerda) são mortas pela infecção do vírus Zika. A imagem à direita mostra células após o tratamento com Zika. (Foto: Zhe Zhu)
Depois, em novos testes, pesquisadores infectaram o camundongo com uma cepa atenuada do zika, mais sensível ao sistema imune. Exames demonstraram que mesmo essa cepa ainda foi capaz de matar especificamente as células-tronco ligadas ao glioblastoma.
Testes em amostras mais fracas do vírus são importantes para garantir a segurança de um possível tratamento, afirmam os pesquisadores. De qualquer modo, como adultos tendem a sofrer menos com a infecção por zika, cientistas acreditam que o tratamento poderia ser adotado com uma toxicidade aceitável, levando-se em conta a letalidade do tumor.
Agora, eles planejam testes pré-clínicos para verificar como o organismo humano reagiria à infecção "controlada do zika" em terapias.
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